DEAD FISH

08/12/02 - Móveis Coloniais de Acaju, Confronto, Pulso, Gramofocas e Dead Fish no sesc 913 sul.

por Marcel Ianuck

O tão esperado show do Dead Fish em Brasília, depois de dois anos do primeiro e histórico show, foi cheio de surpresas. A escalação já eclética do evento ganhou um reforço inesperado de última hora: a banda Confronto do Rio de Janeiro. Os cariocas tocaram no dia anterior em Taguatinga e tiveram o seu show de domingo em Goiânia desmarcado. Então, acabaram fazendo uma participação especial que acabou chamando bastante atenção dos presentes. A passagem de som do MCA, primeira banda presente, atrasou bastante. E como o tinhoso não perdoa, desabou o maior pé d’água pegando todos desprevenidos (afinal estavam todos vestidos para enfrentar o calor infernal que estava abatendo a cidade nos últimos dias).

Águas passadas (sic), começa o show do MCA. A banda é muito bem ensaiada e entrosada. Fazem um Ska com várias influências diversas utilizando um afinado naipe de metal e até mesmo uma flauta, tocada pelo Beto (ex-Ganza). Os vocalistas tem uma boa presença de palco e agitam sem parar e o resto da banda manda muito bem também. Eles tem um público legal até, ainda mais que boa parte da galera que curte HC melódico, gosta de ska também, porém o show se tornou um pouco grande e cansativo para um show de abertura. Sem contar que os mesmos tinham tocado na noite anterior na calourada da UNB com o polêmico Lobão.

Logo após foi a vez do Confronto fazer o seu estrago relâmpago. O show deles estava previsto para durar apenas 15 minutos e ainda tiveram o azar de ter uma corda de guitarra quebrada logo na primeira música. Mas isso não conteve a fúria das guitarras a lá Slayer, da batera furiosa e dos vocais guturais que foram expelidos pelos alto-falantes do SESC. O auditório do recinto se transformou numa imensa e violenta roda de pogo formada por straight edges (na sua maioria) e fãs de hardcore/metal em geral. O arregaço terminou com um cover de um dos pioneiros do gênero, o finado Self Conviction. Foi uma surpresa para quem não conhecia e gerou uma sensação de arrependimento para os que, assim como eu, não foram no show deles no sábado.

O Pulso sobe no palco após o massacre do Confronto com a dura missão de manter o pique. O público diminuiu um pouco no salão do SESC, até porque a chuva tinha parado e o local estava insuportavelmente quente, mas o Pulso provou que está conquistando um público próprio por aqui que dançou pulou e cantou durante toda a apresentação. O show em si não foi muito diferente dos últimos, com as músicas do EP deles, algumas ainda não gravadas e o já tradicional cover do Fugazi. Os destaques foram os pulinhos HC que Álvaro arriscou durante as músicas e a pegada da baterista Roberta que, mesmo não tocando um som tão furioso como a banda anterior, desceu a lenha no kit sem perdão.

Estava ansioso para ver a reação do público ao show do Gramofocas pois não sabia como a galera HC melódico/Emo iria reagir ao punk rock beer pride dos garotos. Nesse show, o Gramofocas comprovou que já é uma banda do primeiro time do atual rock candango, trazendo um público próprio ao show e conquistando outros que estavam ali para ver outras bandas. Além disso esse foi um dos shows mais divertidos que já vi dos rapazes. Desde "Viva Boris Yeltsin" até o fim, o recinto virou um pandemônio de pogo, stage dive, dancinhas e cantoria. Mesmo sendo jovens, já possuem clássicos roqueiros como "Um gole aqui", cantada pelo fã mais style dos caras, um cabeludo chamado Bruno Ramon que cantou a música praticamente toda e transformando a sua vasta cabeleira em um ventilador humano. Sem falar em Olavo, o Perigoso (vocalista do Rockacola) que também aproveitou para cantar músicas abraçado com o fã, mesmo que quase um metro maior que o mesmo. Pedro estava no seu melhor estilo roqueiro decadente bebum agitando, bebendo, tocando e cantando sem parar e até solando(!) em uma das músicas. Paulo é sempre o mesmo bonachão porém, devido ao calor do local, não conseguia mais fôlego para cantar todas as músicas no fim do show. O batera Amigo Punk teve alguns problemas com seu banco e com o calor, mas mandou bem como sempre. Ainda tocaram um cover do Ramones, depois de um coro de "Hey Ho Let’s Go" da platéia, e Toy Dolls ("Nellie the Elephant") onde Paulo ensinou todo o público a fazer a coreografia do refrão, porém não teve o mesmo sucesso com o seu companheiro Pedro que estava fazendo tudo errado. Foi, com certeza, um dos melhores shows deles por aqui.

Chega a hora da grande atração da noite. O Dead Fish entra no palco ovacionado pelos fãs que não agüentavam mais esperar por um novo show deles por aqui. Estava curioso para saber se eles conseguiriam igualar o nível de adrenalina da última aventura dos caras por aqui, um dos shows mais empolgantes que eu já vi na cidade. Rodrigo e Cia não deixaram a peteca cair e nem o público, que cantava todas as músicas, novas ou velhas, durante toda a apresentação dos capixabas. As músicas mais novas estão com uma pegada mais emo, o que não é de forma alguma negativo visto que mostra que os caras querem explorar novas sonoridades, o que acabou pegando muito bem no estilo da banda. Como estão divulgando o novo EP, foi normal tocarem mais músicas do disco, porém foi um show que mostrou todas as fases da banda, dos CDs "Afasia", "Sirva-se" até o clássico "Sonho Médio", notoriamente o preferido o público local. Ocorreu um problema com o baixo nas primeiras músicas que acabou dando uma parada no show. Mas os caras aproveitaram para entreter o público com uma versãozinha tosca de "La Bamba" do Ritchie Valens, cantada pelos farofeiros locais. Resolvido o problema (graças a um baixo emprestado), continuou o show com o mesmo pique deixando o público em frenesi. Foi um showzão! Não sei dizer se foi melhor que o primeiro ou não, só o tempo dirá. Mas foi, com certeza, um dos melhores shows do ano por aqui.

 

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