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Loucuras de Verão 07/02/03 - Super Stereo Surf, Chantilly, Sapatos Bicolores, Móveis Coloniais de Acaju, Gramofocas, Ovos Presley e Pelebroi Não Sei? no Cedec por Alvaro Dutra e Bianca Martim Depois de uma breve chuva começa o Loucuras de Verão num clima mais sombrio do que o ideal. O Super Stereo Surf abriu a noite estreando seu novo baixista Pablo que substituiu Marcelo. A atmosfera foi muito favorável às musicas instrumentais do grupo, talvez a melhor oportunidade que tiveram de mostrar seu som surf music influenciado por Ventures e Dick Dale. Porem é normal o publico sentir falta da interação que um vocalista pode trazer e ir aos poucos perdendo o interesse pelo show. Os "muito doido" do Chantilly esbanjaram microfonias e ruídos que já são marcas registradas de suas apresentações. Apesar de ter algumas músicas que são claramente hits como "Não Vou Ser Diferente", a banda ainda tem muito que amadurecer, principalmente sobre o palco. Apesar de demonstrarem descontração, o resultado para o publico não é tão coeso quanto deveria. Aos poucos o publico ia crescendo e se deixando envolver pelo show. Foi aí que o Sapatos Bicolores subiu ao palco pra mostrar as músicas de seu recém lançado EP e algumas novidades. A banda melhora sua performance de palco a cada show e parecem cada vez mais entrosados. As músicas pareceram um pouco mais porrada do que o comum, mas talvez tenha sido o som que não estava lá essas coisas. Esse show mostrou que eles podem conquistar um publico bem maior do que os frequentadores do Gates, e é isso que vão fazer. Em seguida veio o Móveis Coloniais de Acaju, banda já muito bem conhecida do público candango, aliás deve ser a banda que mais tem se apresentado na cidade neste início de ano. O som da banda: uma mistura de ritmos e instrumentos, resultando em algo muito dançante e muito aceito principalmente pelo público feminino da cidade que sempre se aglomera em massa na frente do palco. O ponto alto da noite, quando o publico estava concentrado em frente ao palco e reagindo energeticamente foi sem duvida o Gramofocas. Os meninos mostraram que tem um publico fiel que não para de crescer. Descontraídos como sempre, eles brincaram com o publico, fizeram caras e bocas e acima de tudo se divertiram. Ficou impossível não se empolgar com a energia do publico que participava intensamente do show. Eles tocaram algumas músicas que estarão no CD de estréia, mas que já são conhecidas do publico como "Sempre que eu fico Feliz Eu bebo" e "Bagaceira Baby". Aproveitaram pra dividir o palco (mais uma vez) com Oneide do Pelebroi no medley dos Beach que incluiu "Barbara Ann", "Surfin Safari" e "Surfin Bird". Tudo errado, mas valeu! No final, após consultarem o publico tocaram "The KKK took my Baby Away" do Ramones. Ficou difícil para os desconhecidos Ovos Presley igualarem o feito. A banda curitibana que já existe há quase 10 anos, veio mostrar as músicas de seu primeiro CD que deve ser lançado pela Barulho Records. O som psychobilly com hardcore não despertou tanto interesse do publico que descansava do lado de fora. Mesmo sem uma resposta calorosa, eles mostraram que são bons de palco e que tem energia de sobra para os remanescentes. O vocalista muito empolgado rolou várias vezes no chão e desceu várias vezes do palco para cantar com a galera não menos empolgada. Tocaram o clássico do Grinders "Puta Vomitada" e "Too Drunk to Fuck" do Dead Kennedys ambas representantes de seu "estilo de vida". Finalmente chega a vez dos também curitibanos do Pelebroi Não Sei. Após sua memorável apresentação no 1º Festival PROTONS, onde Oneide "deitou e rolou" fica difícil imaginar uma apresentação que supere ou se compare aquele show. E foi isso que aconteceu. A banda parecia muito mais comportada do que a última vez e com muito menos energia, porem isso não os impediu de fazer uma boa execução das músicas do CD "Positivamente Mórbido" e uma, que eu me lembre, do seu próximo CD que já está gravado, o lindo cover de "Astronauta" do Replicantes e Ramones. No publico restante, um pequeno grupo que incluía os produtores do evento, uns curitibanos residentes em Brasília - entre eles o sumido Homem-palco, bebuns e punkrockes de plantão não desgrudava da frente e de cima do palco deixando o clima mais caloroso do inicio ao fim do show. 08/02/03 - Lesto!, Pulso, Capotones, Rockacola, Hang The Superstars, Bois de Gerião e Autoramas no Cedec. O segundo dia do festival começou um pouco mais atrasado que o primeiro e mesmo assim o publico só começou a entrar quando o Lesto! já estava se arrumando no palco. Eles subiram, tocaram uma versão instrumental de Dance of Days, desceram outra vez, fizeram hora, até que ficou claro que o pessoal estava entrando. Este foi o primeiro show do Lesto! sem Andréia que dividia os vocais com Bruno. Nunca tive a chance de ver um show deles prestando atenção e não foi desta vez que consegui. O show deve ter assustado e muito os que pensavam que a banda era hardcore melódico (como estava sendo divulgado). Tá certo que é a banda do Bruno do 16kcal com o Felipe e o Guigui do Fragmento, mas aqui a historia é outra. Gritaria e rock pesado, do inicio ao fim. Com participação de Priscila, uma amiga capixaba, nos vocais. Sem dúvida a banda mais destoante do festival. Depois veio o Pulso. Começamos o show mostrando uma música nova que vai estar no nosso próximo cd que está sendo trabalhado. Entre músicas do ep e músicas novas veio uma versão moderninha de "There is a light that never goes out", dos Smiths. Deve ser difícil pro público digerir as batidas instáveis, toda tentativa de pogo da platéia durava pouco e o pessoal preferiu manter os olhos fixos no palco e se limitar a uma balançadinha de cabeça e uma mexidinha dos pés. Os Capotones já não assustam ou agridem tanto com suas roupas e postura "sado-gay", o que acaba sendo uma vantagem pois o publico pode se entreter com o que deveria ser sempre mais importante, as ótimas tiradas nas letras e um som muito bem feito e executado. Ainda parecendo personagens de um quadrinho erótico e usando e abusando do 'lado negro da força', os rapazes estão cada vez melhores de palco e agradando cada vez mais o publico. Agora o que eles precisam é ter um bom material (cd demo) pra divulgar a banda, pois aquela demo caseira já não condiz com o potencial das músicas. Depois do publico entrar no clima rocker com o show dos Capotones, o terreno já estava preparado para que o Rockacola fizesse uma boa apresentação. E não podia ser diferente. Tocando os clássicos da demo e alguns covers já conhecidos da galera, a banda com dois showmans: Olavo - vocal e Guigo - o baterista em pé, incendiou o salão e mostrou o que aprendeu em todo esse tempo de palco. Com direito a pom poms em "Hey Mickey", Ramones e The Clash. Creio que esse foi o maior publico do Hang The Superstars em Brasília. Após uma apresentação na Noite Senhor F no Gates, os goianos que tem como principal elemento de conquista da simpatia do publico duas backing vocals, veio mostrar as músicas que estão no seu recém lançado EP e mais algumas surpresas que fazem deles uma das bandas mais cotadas de Goiânia. E mesmo sendo uma banda de fora, foi preciso aproveitar um tempo antes de enfrentar Bois de Gerião e Autoramas, por isso algumas pessoas permaneceram relaxando e batendo papo fora do salão. Depois de alguns shows pelo sul do país muito bem visto pelos nativos locais, os Bois receberam uma calorosa recepção da cidade em que são mais queridos, Brasília. Eles despejaram os sucessos de seu CD que já esgotou à meses e empolgou todos os presente que cantavam junto quase todas as músicas. O momento mais emocionante pra mim não aconteceu no palco e sim lá pro fundo do salão onde Marcos Pinheiro, agitador cultural que entre outras coisas é responsável pelo Cult 22, mostrava-se muito empolgado com o som dos meninos. Mesmo com a ausência do saxofonista Foca que fraturou o braço, eles mostraram o quanto estão prontos pra conquistar de norte a sul do Brasil. A banda do ex-Little Quail (êta rótulo desnecessário) Gabriel Thomaz que já é velha conhecida do publico local, o Autoramas. Nem sei quantas vezes eles tocaram em Brasília, mas lembro que a última foi em novembro no Festival Cult 22. Tantos shows serviram para formar um publico fiel que se empolga com os velhos e novos sucessos do grupo. E a banda, que voltou de uma tour pelo Japão, não deixa a bola cair. O show tem um pique inigualável e as letras ácidas, vezes causam dor, vezes causam alivio. O show foi longo sem que ninguém notasse. Eles tocaram todos os sucessos dos dois discos. E fecharam o festival em grande estilo.
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