The Invisibles

30/03/03 - Super Stereo Surf, Spectroman, Fliperama Morfonauta, The Invisibles e Mf5 na ASEEL.

por Alvaro Dutra

Super Stereo Surf

Helpless

Spectroman

Fliperama Morfonauta

Invisibles

MF5

O local escolhido para a primeira apresentação da banda carioca de punk rock/hardcore melódico Invisibles foi o clube Aseel. Esse é o segundo show que rolou lá, se não me engano (o primeiro foi com Jack Fluster, Gramofocas, Spectroman, MCA e outras, lembra?) Apesar de achar o lugar legal, em frente ao "mar" e com bastante espaço, a acústica não é das melhores. E o pior é que, devido aos atrasos básicos de um show, acho que não houve passagem de som. 

Quem ficou com a pressão de começar o evento foi o quarteto instrumental Super Stereo Surf. O som não estava tão ruim, mas também não estava tão nítido quando a banda exige. È sempre difícil falar de uma banda instrumental. Mesmo gostando do estilo, das influências e da idéia, não acho que funciona bem ao vivo. Não dá pra parar e ficar só assistindo o show. O vocal faz muita falta. A interação com público, o "valeu galera", a apresentação de cada música, esses detalhes que prende a atenção e cativa o público é a diferença entre um show e música ambiente. Fica difícil saber o que é música deles, o que é cover, pois vez ou outra rola uma passagem Dick Dale ou de algum outro clássico que mesmo chamando a atenção, confunde. Mas uma coisa é fato, eles gostam e se divertem com o que estão fazendo e se preocupam em ser mais atrativo para quem assiste, com direito balançar a cabeça todos juntos, camisas floridas e tudo mais. 

O som que realmente ficou comprometido foi da banda Helpless. O pouco que se ouvia do vocal era praticamente impossível de entender. Tá certo que quase todas as músicas são em inglês, o que não ajuda muito, mas as duas músicas em português que eu queria muito entender, só consegui pescar algumas palavras. Nada que desse uma idéia do que estava sendo dito. Mesmo assim, acho que eles nem notaram que o som não estava 100% e deram tudo de si. Eles marcaram realmente o início do show, pois o público começava a ocupar a frente do palco e prestar mais atenção. Fizeram um bom show e não podia ser diferente. A banda é bacana, está bem ensaiada, o instrumental é seguro, os vocais são bem certinhos, o público estava mais receptivo principalmente por se tratar, em sua maioria, por amigos da banda. 

Depois de um bom tempo longe dos palcos, (pra quem não lembra o último foi no sesc com o Fullheart ano passado) os veteranos do Spectroman já começaram com o pé direito tocando Voodoo Glows Skulls seguido por velhas conhecidas do público. A banda que agora não tem um vocalista oficial fica revezando entre Eduardo e Fernando e eles não deixam a desejar. Mesmo assim, o público ficou mais parado do que o de costume. Mesmo com os velhos e novos sucessos da banda e alguns clássicos como "These Boots are made for Walkin" na versão do Operation Ivy o publico manteve-se comportado demais. A participação de Rafael (ex-vocalista) foi um dos pontos altos do show, pois ele estava super empolgado e sem a pressão de levar a banda nas costas. Outro ponto alto foi o cover de "Mr. Bobby" de Mano Chao. E pra fechar nada melhor do que "Por um mundo melhor".

Eu sempre tive a impressão de que o Fliperama Morfonauta era uma banda de punk rock, hardcore melódico, mas neste show percebi que eles são um tanto mais hardcore do que eu imaginava. A maioria das músicas é paulera na mulera, sem descanso e mesmo que o vocal ou as letras não siga o tradicional hardcore a banda está muito mais pra lá do que pra cá. Talvez o fato de tocarem depois do Spectroman tenha favorecido essa minha impressão, afinal sair de um mundo melhor pro cacete, assusta. O público parecia cansado, pouco atento, meio que de ressaca, mas isso não impediu Macarrão e sua turma (incluindo um novo guitarrista - pelo menos pra mim) de mostrarem todo seu set e ainda se divertir bastante. O momento mais descontraído foi quando Kadu (MF5) assumiu o baixo e o naipe de metais do Spectroman fez uma participação em uma música. 

Chegou a vez do Invisibles. Opa! Não está faltando o MF5? Também achei estranho uma banda do Rio de Janeiro, que foi divulgada como o destaque da noite não fechar, mas era visível que o publico, por ter compromisso na segunda-feira, estava aos poucos deixando o local e não podiam deixar os caras tocarem pra ninguém. Os rapazes ligaram os instrumentos, se arrumaram no palco, tocaram "Ana Julia" do Los Hermanos (que teve mesmo que distante o acompanhamento vocal de Bruno Ramon, figura ilustre da cena atual), se aprontaram, tudo na maior humildade. Começa o show com uma explosão de animo que mudou o astral do local e conseguiu acordar o público que até então se contentava em estar presente. A banda mostrou principalmente as músicas do seu cd "Summer", entre elas o super sucesso "29 Months" (música do clipe) logo no início do show. Foi impossível ficar parado. Os caras são super simpáticos e mandaram muito bem. 

Finalmente chega a vez o MF5. Apesar do publico consideravelmente menor, eles se preparavam pra tocar. Nisso, papo vai, papo vem, até que começam a tocar "Cut your Ribbon" do Sparta. Confesso que fiquei surpreso, meu coração bateu mais forte, fui rapidamente pra frente do palco com um sorriso de orelha a orelha, mas logo veio o balde de água fria. Apesar de comentarem que pretendiam tocar essa música, eles tiveram que fazer um set reduzido em consideração ao público que tinha que ir embora. Eles tocaram basicamente as músicas do recém lançado EP. Mesmo com uma boa execução das músicas, eles pareciam desanimados. Mikão (vocal) que ainda está buscando sua personalidade no palco mostrou-se menos Dance of Days e mais At the Drive-In, Sparta, Thursday e Internacional Noise Conspiracy com direito a dança e cabelo a rigor (boas influências, diga-se de passagem - mas se for pra beber na fonte mesmo, fica faltando duas bandas: Rites of Spring e One Last Wish). Sem dúvida esse não foi o melhor show da banda mesmo com uma boa resposta do pequeno publico presente, mas que a banda está afiadíssima, isso tá!

 

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