Sesc Explícito

26/07/03 - República Federativa, Rádio Rebelde, Vitrine, Colisão de Idéias e Lo-fi no Sesc (913 sul).

por meninas Kitty 

Sábado, pelas 16:30 o show acabava de começar, em plenas férias o Sesc estava vazio como nunca tínhamos visto antes, uma pena, pois mesmo com as poucas pessoas na platéia o evento era uma boa pedida para um pouco de diversão. O que não faltou aos produtores foi atitude, realizando esse show no meio das férias mesmo sabendo que nem sempre o público é fiel... A banda Flores indecentes (GO) que iria tocar, foi cancelada por causa da mudança de dia do show. Bem, pelo menos essa foi à oportunidade que tivemos de conhecer os sons de todas as bandas que tocaram, já que não vimos apresentações destas anteriormente, sendo assim isso vai ser mais uma "1ª impressão das bandas" do que propriamente uma resenha...Algo como "de público para público".

A primeira banda do evento foi República Federativa, que leva um rock oitentista, bem na linha rock Brasil, os vocais chegam a lembrar bastante Legião Urbana e as linhas de baixo são bem simples. A casa encontrava-se extremamente vazia, deviam ter por volta de 25 pessoas do lado de dentro assistindo ao show, talvez por isso tenha faltado animação, (os mais animados da platéia eram duas crianças que cantavam e brincavam de tocar bateria do lado esquerdo do palco...rs ). A banda pareceu um pouco retraída no palco. Pode se notar a preocupação da banda em compor letras consistentes, em sua maioria políticas e em português, podemos citar como exemplo a belíssima "Filhos do concreto".Outro destaque do repertório a "República dos ignorantes" onde se pôde observar mesmo que de leve algumas pessoas cantarolando.

Logo depois veio a Rádio Rebelde, um pouco mais animada, apresentando o seu 4º show em mais de dois anos de banda, o grupo agora com nova formação- o guitarrista Oops deixou a banda, e em seu lugar Fábio que era baterista liderou as guitarras, e na bateria entrou Rafael (guitarrista do colisão de idéias), mas parece que esta formação não é definitiva ainda. As letras são em sua maioria de cunho social e político, músicas curtas com aproximadamente 2 minutos de duração, um punk rock bem bolado, um vocalista dedicado, baixista e guitarrista competentes, embora a bateria não tenha sido das melhores...Além de composições próprias os meninos mandaram ainda um ótimo cover dos Beatles "i’m down" super animado e acabaram fechando a apresentação com mais um cover, "now i wanna be your dog" do Stooges.

A 3º banda do evento, Vitrine é mais uma na linha rock 80, e foi também a mais melódica até então, e até romântica, mas sem deixar de lado letras políticas como no caso da linda canção "Pátria Armada" que faz parte do repertório mais antigo da banda e fora inserida de última hora na apresentação. No set list constava ainda um cover do Escola de Escândalo "Luzes" mas nem isso pareceu animar o público.

Chegou a vez da penúltima banda entrar em cena.Eles se vestem com um visual punk á la Clash, bem raiz mesmo, e tem letras engajadas politicamente, uma banda que traz um rockn’roll animado e cheio de protestos, estes são apenas os membros da Colisão de idéias. A banda não tem como fugir da colocação "banda-figura", pois foi este o adjetivo que achei ao vê-los no palco pela primeira vez, e continuo dizendo que é mesmo uma dessas "bandas-figuras" com personalidade própria e amor ao rock...Quando os quatro meninos da Colisão entram em cena, é como se por alguns segundos você se transportasse de volta aos anos 80, ou quem sabe, mais precisamente 77...São quatro meninos com suas jaquetas pretas, cabelos espetados coturnos e tudo mais. Não se pode negar as influências que são do mais puro punk rock...A presença de palco é um fator importante, pois não seria a mesma banda se eles fossem mais quietos. Tanto a presença de palco quanto animação não os falta, parecem gostar muito, muito mesmo de tocar. Linhas de baixo consistentes, letras inteligentes, humor e ironia por parte do vocalista, uma banda que se mostrava bem entrosada entre si e íntima do palco. Os meninos conseguiram levantar o astral dos poucos presentes, já no início do show com a rebelde canção "qualquer coisa" uma das melhores do repertório, assim como Futuro próximo, também merece destaque.
Todas as apresentações tiveram um caráter bem familiar já que o público era em sua maioria formado por amigos e conhecidos das bandas.

E fechando a noite, o rock alternativo dos garotos do Lo-fi, que são um trio, mas não me atrevo a rotular mais especificamente o som deles, nota-se influências de pré-punk, pós-punk e indie. Uma linha de baixo criativa e com algumas distorções, guitarras bem elaboradas e pegadas firmes na batera, tudo isso misturado com uma grande animação e boa presença de palco, faz do Lo-fi uma das bandas que aos poucos vem conquistando seu espaço na cena alternativa da capital. Os garotos aproveitaram ainda para anunciar que seu próximo cd deverá sair até Outubro pela Abismado. Estavam incluídas no repertório do show algumas de suas primeiras músicas como a bem bolada e "feedback is confusion" e é provável que eles tenham tocado uma das maiores músicas do show todo, com cerca de 10 minutos e um só riff de guitarra, a "conspirações" que é uma boa música, mas cansativa. 

Agora o que falta é o público de Brasília se interessar um pouco mais e tentar conhecer o que tem de bom na cidade, e apoiar MESMO as bandas, e as boas iniciativas! "Sesc explícito - me desculpe burguesia mas isso é rock" frase dita pelo vocalista do Colisão de idéias, que definiu perfeitamente o evento.

 

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