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Só não vale chorar d+ 16/08/03 - CH4, Mullets, Pulso, MPFI, Rashness e MF5 no Circulo Operário do Cruzeiro. por Amanda Goes O evento "Só não vale chorar d+", que aconteceu nesse sábado, recolocou o círculo operário do Cruzeiro na rota de lugares para shows. Organizado por integrantes das bandas que tocaram no dia, o show começou com um pequeno atraso, imperceptível, que não comprometeu em nada o andamento do evento. Apenas deu mais tempo para as pessoas chegarem ao Cruzeiro e se concentrarem na porta. A primeira banda a tocar foram os novatos do CH4. Com apenas 5 meses de existência e somente um show para os amigos numa festa, a banda demonstra uma postura típica de iniciante. Se limitaram a tocar suas músicas sem muita performance, para um público ainda desconhecido. Mas não estavam desanimados e parece que logo, logo estarão bem acolhidos pelo público da cena de hardcore melódico de Brasília. Mandaram um cover de Gritando hc e músicas próprias que estarão em uma gravação com lançamento em breve. Em seguida, foi a vez da banda Mullets tocar seu hardcore melódico/punk rock com letras numa temática positiva. Muito bem-humorados, os rapazes estavam seguros e à vontade no palco (?), principalmente porque um grupo de amigos animados acompanhavam todas as músicas de perto. Abusaram do pedal duplo, dos solos virtuosos e da paciência do público. Jogaram muito tempo fora com a demorada escolha da música do Blink 182 que fariam cover. Decidiram-se pela mais óbvia, que fez todos pularem do início ao fim: "Dammit". Após algumas alterações na ordem das bandas, o Pulso inicia seu show. Testando o set que tocarão em São Paulo na semana que vem, rechearam o show com músicas novas que não estão no cd já lançado. Bia passou uma imagem de baixista introspectiva, contradizendo a agitada figura de Alvaro tocando guitarra. Bianca dedicou muitas músicas aos amigos e terminou o show comemorando o aniversário da guitarrista do Emochips, Irene, com direito a bolo e parabéns. Logo após, a banda MPFI entra em cena. Contaram com a presença de simpáticos skinheads dançando suas músicas, que acabou por afastar o resto do público das proximidades do palco (?). A banda conseguiu a melhor sonoridade do dia, em que todos os instrumentos puderam ser ouvidos nitidamente. Mesmo sem uma resposta total do público, fizeram um show animado com músicas de seu cd de estréia. O Rashness não decepcionou no seu show. Muito bem ensaiados, tocaram seu hardcore melódico, que é o estilo comum a todas as outras bandas. Mas algo neles soou diferente e original. Os vocais acertam em cheio no quesito entrosamento e são, sem dúvida, o forte da banda. Ainda um pouco impossibilitado de mostrar sua receptividade, o público ficou distante mais uma vez nesse show. E pra encerrar, o MF5 se apresenta para um público que parecia estar ali só para vê-los. Até então, estavam todos dispersos conversando e olhando as bandas de longe. Aos primeiros acordes, o público se concentrou na frente do palco (?). O MF5 é uma banda que a cada show vem mostrando porque são bem notados: eles tocam bem, fazem um som com identidade própria e fazem um show com muita energia. Mostraram tudo isso nesse show e conseguiram conquistar grande parte dos presentes. por Bruno Esponja Cheguei no Círculo Operário do Cruzeiro meio atrasado e não deu pra ver o CH4. Uma pena já que aquela seria a primeira apresentação que eu veria dos caras. Ouvi falar bem do show deles, mas infelizmente vou ficar devendo um comentário sobre a banda. Então o Só Não vale Chorar Demais começou pra mim com a apresentação dos Mullets. É uma banda que eu já conhecia de outros eventos da Piratox e fizeram o mesmo show nervoso de sempre. Com boas linhas de baixo, um bom baterista e um guitarrista que não deixa nada a desejar, o trio tocou músicas próprias e mandou duas do Blink 182. Um cara da platéia foi quem cantou um dos covers ("Dammit") e essa interação de certa forma quebrou um pouco o gelo. O público se animou mais quando eles tocaram "Amigos", canção mais pedida pelos presentes. O Spectroman por um motivo desconhecido por mim, não tocou no Cruzeiro. Aí entrou em ação o Pulso. Com uma baterista firme, uma baixista pra lá de introspectiva e um casal que entre uma música e outra trocava olhares cheios de flerte, a banda mandou um som que agradou a maioria dos presentes que se aglutinou perto dos integrantes, dando mais energia para a apresentação. Durante o show do Pulso chegaram uns quatro Skinheads que ficaram apenas observando sem se manifestar até o final. Na última música, a vocalista puxou um Parabéns pra Você para uma garota. A pequena festa teve direito a torta com velinha, fotografias e tudo mais. Aí entrou o MPFI mostrando novidades na apresentação. Tocaram duas músicas novas com boas melodias que incrementaram o show. Definitivamente, todos os integrantes mostraram-se mais soltos e seguros no palco. Na apresentação do MPFI, os Skinheads tomaram conta da roda do show e ficaram na frente da banda dançando. Isso intimidou os presentes que se afastaram um pouco da banda. Porém, parecia que eles estavam ali mais para curtir o show do que para arrumar confusão. Aos poucos a galera ia entrando na roda junto com os Skins, e, pacificamente, numa interação que eu sinceramente nunca havia visto antes, formou-se uma roda de hardcore entre Os Carecas do Brasil e os demais presentes. O MPFI está fazendo uma grande evolução a cada show, interagindo mais com o público e mais a vontade nas apresentações. Depois entrou os RashnesS, e nessa hora, já não havia mais inibição nem por parte dos Carecas e nem por parte dos outros presentes. Todos curtiram o som que os caras desempenham sempre com muita competência. Com canções melódicas, uma bateria rápida e bem trabalhada com vocais muito bem equilibrados, os RashnesS sempre fazem uma apresentação que agrada. Principalmente aos fãs da banda, que estão em praticamente todos os shows, cantando todas as músicas e curtindo cada canção que os caras tocam. Durante o show, o vocalista Daniel, jogou uma demo da banda, para os presentes pegarem. Sabe quando a noiva chega no casamento, vira de costas e joga um buquê de flores pra trás? Pois é! Daquele jeito. Advinha só quem pegou o CD? Um dos membros do Carecas do Brasil, que devolveu para o vocalista jogar novamente. O Daniel jogou outra vez e o mesmo cara pegou novamente. Aí não teve jeito, o cara ficou com o CD mesmo. Uma hora dessas ele deve estar curtindo o som da banda. Já era noite quando o evento foi encerrado pelo MF5. Uma banda que dispensa comentários quanto ao profissionalismo com que desempenham seu som. Tomando um grande espaço do que seria um palco imaginário, a banda mostrou uma excelente presença e mostrou principalmente que possuem certo prestigio já que o show pouco se esvaziou até o final da apresentação dos caras. Só achei que o vocalista deveria provocar mais a platéia, invés de cantar boa parte do tempo de costas para o público. Havia momentos em que a banda toda estava de costas para os presentes, mas isso não tirou o brilho da apresentação. Terminaram o show sem decepcionar aos presentes que pareceram ter gostado do que viram. Ao final dessa empreitada da Piratox, conversei com três Skinheads que estavam presentes no show. Eles se chamam de Os Carecas do Brasil e me disseram que não são um movimento de violência gratuita. Denominam-se nacionalistas e são basicamente contra o Comunismo, os homossexuais e as drogas ilícitas. Deixaram clara a posição de que este movimento tem algumas diferenças dos Skinheads à moda antiga e que não são contra os negros, os roqueiros (eu odeio usar essa palavra) e nem contra os cabeludos. Admitiram já terem usado de violência algumas vezes, mas como último recurso para defender seus ideais. Não concordo com as posições dos caras, porém, qualquer manifestação pacífica de pensamento deve ser respeitada. O exemplo foi dado nesse evento da Piratox. Os Carecas do Brasil mostrando a sua ideologia em suas cabeças raspadas, suas tatuagens, suas roupas, mas sem nenhuma violência. Disseram querer melhorar a imagem do movimento e difundir suas reais intenções através de suas músicas e atitudes. É esperar pra ver.
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