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1° Festival Rádio Livre 30/11/03 - Toda.dor.do.mundo, Shradda, Lesto!, D.E.R., Confronto e Innocent Kids no Sesc 913 sul. por Alvaro Dutra toda.dor.do.mundo estava passando o som quando o número de pessoas em frente ao palco obrigou a passagem à virar show. Foi um começo mormo, afinal as garotas foram pegas de surpresa, mas aos poucos, com a ajuda de um público bem receptivo o show foi fluindo. A banda, formada só por garotas, faz um hardcore rápido e deveria lançar um EP nesse show (coisas do independente). Tive a impressão de ser o último show da vocalista, que agradeceu emocionada aos amigos que deram força a ela e deixou o palco antes da última música (instrumental). Shradda, que fez nesse show sua estréia nos palcos, foi uma boa surpresa. Vindos de outras bandas, os integrantes estavam muito entrosados e mostraram conhecer muito bem seus instrumentos e suas influências, que passeiam principalmente pelo hardcore sXe do início dos anos 80. A música instrumental que abriu o show já mostrou timbres bem definidos e arranjos bem interessantes. Confesso que a entrada do vocal me decepcionou um pouco. A música era em inglês e o vocal estava muito alto. Esperava um vocal mais "pra fora", mais gritado, tipo Minor Threat. A partir da segunda música (daí em diante em português) fui me acostumando e percebendo influências de bandas como Youth of Today e Gorilla Biscuits no vocal. Com todas essas boas influências (das quais eu gosto tanto) ficou difícil não ficar empolgado com a banda. Bom pacas! Lesto! passou os últimos meses no estúdio, gravando o CD que devem lançar em breve. A banda sofreu algumas mudanças nesse tempo. Valadão, que antes era baixista, agora divide o vocal com Bruno, dando um gás extra no show da banda. Quem assumiu o baixo foi Leo, uma figurinha conhecida da cena, mas que ficou bastante contido nesse primeiro show com a banda. Os demais apenas aprimoraram suas técnicas e estão tocando suas músicas com uma definição impressionante. Eles lançaram nesse show um single com duas músicas que estarão no CD. D.E.R. contou com o melhor elemento para um bom show: um público pra lá de receptivo. A banda "disparou" músicas rápidas e enlouqueceu o pessoal que não parava de pular e agitar tomando conta de quase todo o espaço do auditório. O baterista deles é uma máquina e impressionou até os mais experientes no assunto. Vocal gritadão, riffs metaleiros (que incluíram até um pedacinho de Slayer) e vários discursos emocionados deixaram uma ótima impressão da banda nessa primeira passagem deles por Brasília. Confronto passou por aqui há um ano. De lá pra cá fizeram muita coisa como a tour pela europa e CD (split) recém lançado. A volta da banda estava sendo esperada por muitos e foi sem dúvida o ponto alto do evento. O público, como com D.E.R., estava super receptivo e empolgado. Muitos cantavam junto quase todas as músicas e aplaudiam intensamente os discursos da banda, muitas vezes voltados pra temas sXe. Innocent Kids ficou com a tarefa de fechar o show, uma vez que o Confronto tinha que pegar o ônibus de volta pro Rio logo após o show. Muita gente já tinha ido embora, pois, convenhamos, todos estavam agitando com todas as forças nas últimas duas bandas e deviam estar com a sensação mista de cansaço e satisfação. Mesmo com o público reduzido (mas ainda assim considerável) o IK fez uma boa apresentação e mostrou músicas do CD que já está na fábrica e deve sair muito em breve. Muita energia, interação, entrosamento (a entrada do novo baixista, Hery, deu mais gás à banda). Totórs rasgou a constituição (rock!) e tocou num assunto que vale a pena ser citado aqui: o público precisa valorizar as bandas da cidade! É sempre bom apoiar eventos que trazem bandas de outros estados. Precisamos valorizar sim quando uma banda vem tocar aqui. Apoiando esse tipo de evento, estamos incentivando que os produtores continuem trazendo cada vez mais e melhores atrações. Porem, não faz sentido apoiar bandas de fora e esquecer as bandas daqui. Tem muita coisa boa acontecendo aqui, muita banda com potencial de se igualar ou superar muitas das bandas "gringas". Mas o público parece se proibir de gostar do que é feito aqui. Se não tivermos uma cena local forte, não teremos shows "gringos". E quem vai sair perdendo? Você!
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