3° Festival PROTONS

09/10/04 - Trezeromeia, Pulso, Os Excluídos (SP), Gramofocas, Os Pedrero (ES) e Sugar Kane (PR) na ARUC.

por Alvaro Dutra e Bianca Martim

Cinco meses sem chover em Brasília. Uma seca insuportável. Um calor do inferno. Clima perfeito para um festival infernal (hehehe). Mas obviamente que uma "chuvinha" (mas parecida com um dilúvio) veio nos refrescar uns 10 minutos antes do primeiro dia do 3° Festival PROTONS. Som montado. Cerveja gelada. Tudo pronto. E o céu desaba sem piedade. Já não basta toda a dificuldade encontrada em organizar um evento assim, lidar com tantas bandas, falta de um espaço legal. Agora nem mesmo a natureza dá trégua.

Timidamente, o Trezeromeia arrumou os instrumentos e deixou tudo pronto para começar o show, isso já com o público molhado entrando no enorme salão da Aruc. Daí, foi só esperar uns minutos pro pessoal entrar no clima e começar o show. Trezeromeira nunca desaponta, seja num palco minúsculo, com um som precário, ou no palco enorme de um festival. A banda faz o que sabe fazer e não precisa se preocupar com mais nada. Apesar de abrir o show e se defrontar com um público ainda se aquecendo, o show foi bem empolgante. Revezando músicas do EP "Audiografia" e novas composições ainda não gravadas, o show foi conciso e intenso. 

Chega a hora de nós, Pulso, subirmos ao palco. E vou falar uma coisa: não é fácil estar organizando um festival e tocar! Ainda mais sendo a segunda banda do primeiro dia. Sem falar que a Roberta (bateria) ia viajar menos de uma hora depois do show. Então já viu, tensão comendo os nervos. Um nível de stress tão alto que deve ter nos acalmando (hehe). O set foi bem curto, sete músicas apenas. Intercalando músicas novas (inclusive "Avante" e "Andar ao Sol" que estão disponíveis pra download) e músicas do EP, ficamos satisfeitos por ver tanta gente assistindo o show. 

Nos bastidores, Os Excluídos gentilmente comentaram para nós: "Mandaram bem. Agora fica difícil para nós..." OK!!! Como se fosse difícil. Os caras chegaram arrasando. Punk rock de primeira, como manda o figurino. Alto astral, empolgação, boa música, atitude e humildade. O tipo de banda que faz valer todo o trabalho de fazer um festival. E o público respondeu muito bem. Agitou, cantou junto, formou a roda de pogo. O nível de energia foi lá no alto. Foi quando o show começou de verdade. O público mostrou conhecer praticamente todas as músicas que a banda gravou, mas foi em "Km 77" que foram ao delírio. Um show memorável que esperamos que se repita logo. 

Trezeromeia

Pulso

Os Excluídos

Se não fossem os Gramofocas, a coisa ficaria feia pra banda que veio depois de um showzão desse. Mas faz tempo que Gramofocas é sinônimo de um show divertido e animado. Eles estão cada vez melhores no palco e quem sabe um dia se livre do rótulo de banda incompetente, tecnicamente falando. As letras na ponta da língua, a festa, a cerveja, a animação – tudo engatilhado. Curtição do início ao fim. Destaque para o cover dos Bois e Gerião, com direito aos naipes de metais imitados na boca, e a quase música "Ressaca" que nunca tinha visto nos shows e que traz o lado Toy Dolls do Gramofocas à tona. Excelente!

Quem ouve os CDs dos porralouca d’Os Pedrero, rapidamente começa a imaginar como deve ser um show desses doidos. Pela primeira vez em Brasília, como todas as bandas de fora selecionadas para esse festival, a trupe "liderada" por Mozine veio mostrar um pouco do seu "estilo selvagem". O visual dos caras é um charme todo especial, tipo caminhoneiros gatões. Mozine era o próprio Motorhead. Tocando as melhores músicas dos 3 CDs, ainda tiraram uma onda ao anunciar: "essa é pra quem curte Dead Fish, se chama 'Noite'" antes de tocar "Menudo Capixaba". Outras músicas que se destacaram foram "Ritalina" e o grande sucesso "O amor é muito bom".

A última atração da noite foi o aguardado grupo curitibano Sugar Kane. Com exceção do baterista René, que chegou um dia antes, a banda chegou quase na hora de tocar devido a problemas com a van. Eis que chegam 30 pessoas entre banda, empresário, roadies, assistente de mechandise, babá, guia espiritual, contador, massagista, .... afinal, quem são os caras do Sugar Kane??? Será que eles estavam lá no meio? Nem vi... O profissionalismo tem dessas coisas: acaba com o contato direto com a banda e esfria muito a relação produtor do show – banda, o que pra nós não é muito legal. Mas a verdade é que na hora de fazer o show, os caras mandaram bem. Fizeram um excelente show com direito a participação efetiva de todos que se empurravam em frente ao palco. Todas as músicas eram conhecidas da grande maioria ali. Destaque para "Janeiro" e "Medo", grandes hits da banda. Fechamos assim o primeiro dia. Grande final! 

Gramofocas Os Pedrero Sugar Kane

10/10/2004 – Mentes Póstumas, Suíte Super Luxo, Ludovic (SP), Capotones, Killi (SP) e Bois de Gerião na ARUC.

por Alvaro Dutra e Bianca Martim

Segundo dia de festival é sempre mais tranqüilo. O som já está montado, as pessoas já sabem onde é, as coisas fluem melhor, certo?? Errado!!! O atraso ficou todo no segundo dia. Existe um atraso programado. Um cronograma feito por nós para que o show também não acabe cedo demais. Mas o segundo dia extrapolou! E o pior é que não conseguimos colocar de volta nos eixos, mas talvez só tenha sido "doloroso" pra nós que não dormimos de um dia pro outro. (é dureza!!)

O atraso acabou sendo favorável para a primeira banda, o Mentes Póstumas, possibilitando uma maior aglomeração de pessoas no início de sua apresentação. Mentes Póstumas é uma banda não espera as coisas acontecerem, eles trabalham bastante e merecem muito mais do que recebem (mas o underground é bem injusto). Diante de um publico ainda um pouco distante e frio, eles fizeram um bom show que contou com participações especiais de Débora e Gustavo Bill, tornando o show mais descontraído. Mostraram músicas de seus Eps e conseguiram prender a atenção dos presentes. 

Suíte Super Luxo é a mais nova aposta do selo PROTONS. Eles estarão lançando seu primeiro CD no dia 22 de outubro e por isso fizeram um show curto, só pra dar um gostinho. Abrindo com "Máquinas Passionais", uma das músicas mais cativantes e hipnóticas do grupo, que só teve seu impacto diminuído pelos novos hits que aos poucos serão digeridos pelo público, como "Ad Hoc" e "Betty e a Fúria Genital". Um show muito aplaudido, onde o público pediu bis. E pra não decepcionar, Luc anunciou o "Tom Jobim estilo Sex Pistols" e tocaram sua versão de "Águas de Março".

Ludovic vem ganhando bastante destaque no underground. Seja pela música ou pelo show, não é raro achar alguém elogiando o trabalho deles. E uma coisa é fato: nem precisa ouvir uma música pra ficar afim de ver um show dos caras, basta ver uma foto qualquer da banda ao vivo que a curiosidade vai lá no teto. Para a grande maioria foi surpresa total, e das boas! O show começou lento, fraco e só foi explodir lá pela terceira música, mesmo assim o público não conseguiu tirar os olhos da banda, principalmente do vocalista Jair. Em frente ao palco, as pessoas estavam paralisadas e atentas. Alguns que conseguiram juntar informações perceberam o quão pessoal e verdadeiro foi tudo aquilo. Um show grandioso em todos os sentidos.

Mentes Póstumas Suíte Super Luxo Ludovic

Quem ouvir Capotones em casa, acompanhando as letras, entendendo a proposta da banda, nunca vai imaginar um show cheio de adolescentes se divertindo de montão, não é? Todo o conteúdo subversivo, erótico e a postura sexual da banda parecem indicada apenas para os mais "sexpirencied". Taí mais um tabu quebrado por esses loucos. O som do Capotones é ótimo para dançar e nesse show foi especialmente contagiante, tanto por causa da performance da banda quanto pela resposta do público. 

Killi foi outra boa surpresa. Muita gente aguardava ansiosa em frente ao palco. Realmente inesperado. A nova vocalista, Joyce, canta muito bem. É simpática, charmosa e prende a atenção do público sem fazer muito esforço. Ela parece ter se encaixado na banda muito bem. Mesmo não conhecendo a formação antiga, posso dizer que a banda está 100%. E são pessoas muito legais, com as quais tivemos a chance de curtir um pouquinho, muito alto astral. O show não poderia ser diferente. Levaram um cover de "Estúpido Cupido" bem no estilo fofo deles. Todas as músicas foram cantadas incansavelmente pelas primeiras fileiras da platéia. Não é preciso dizer o que aconteceu na hora de "Contando os Dias", né? 

Pra fechar com chave-de-ouro, mantendo a empolgação e o astral lá em cima, nada melhor que o melhor show de Brasília, Bois de Gerião. Festa total, alegria, e todo mundo ali curtindo o grand finale! As gatas do bar foram dispensadas e foram lá pra frente do palco também. Muitos moshes, brigas de galo... visto do bar o show parecia um grande parque aquático. Os Bois estavam em um ótimo dia, com ótimo humor e fizeram um dos melhores shows do festival. Tocaram todos os sucessos e apresentaram algumas músicas novas. Rafael fez varias 'piadinhas', inclusive anunciou "Cifrão" como um cover de Gramofocas. Um final glamuroso! Sem dúvida todos voltaram satisfeitos para suas casas. Um trabalho visivelmente fácil para uma banda que está prestes a completar 10 anos. 

Capotones Killi Bois de Gerião

Foi isso! Mais um festival feito com todo o carinho. Só podemos agradecer as bandas, aos amigos que deram uma grande força para que a estrutura funcionasse, e por último, mas não menos importante as pessoas que compareceram e que são para quem nós trabalhamos. O clima do festival foi incrível. Esperamos comemorar muitos outros aniversários com vocês. Valeu mesmo!!! 

 

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