|
Festival Porão do Rock 2006
O que aconteceu com o Porão do Rock? (por Alvaro Dutra)
Algumas coisas precisam ser faladas sobre a nona edição do Porão do Rock. Na verdade são coisas que o público em geral já cansou de comentar, mas que provavelmente nenhum veículo de comunicação vai trazer a tona. Mas como eu estou pouco me fudendo, vou compartilhar minhas impressões com vocês.
Acho que eu acompanhei o Porão desde sua segunda edição e engolia umas bandas cretinas pq o evento era de graça e de graça até injeção na testa, certo? Nunca fui fã das 'bandas fundadoras do porão' e acho que meu gosto é bem diferente do gosto dos organizadores, mas sempre (até hoje) tem uma ou outra banda que eu quero ver. Acontece que desde que o Porão passou a ser pago, tudo mudou. Tá certo que a estrutura do festival está bem melhor, o esquema é bem mais profissional e valoriza todas as bandas com o máximo de igualdade possível. Mas o preço do ingresso, que aumenta a cada ano, fez todo mundo pensar duas vezes antes de engolir atrações merda como Detonautas (horrível a morte do guitarrista. não desejo isso pra ninguém. mas 'pessoas' são uma coisa, banda é outra, e a banda é uma merda!)
Paul Di'anno, que foi vocalista do Iron Maiden por sei lá quantos minutos e que tocou em Brasília pouco tempo atrás é uma 'grande atração'? Lobotomia que é um clássico do hardcore nacional, também não foi uma atração pra quem os viu em Taguatinga ano passado. Show revival é show revival. O cólera (melhor banda de punk rock nacional e que sempre faz shows longos sem perder o pique, só sucesso, com um 'bolo de gente'cantando todas as músicas) não teria como fazer um show caloroso como o de costume no dia metal e com um público tão distante. Ainda assim, Cólera foi uma excelente escolha do Porão. Fiquei muito feliz. Redson é o cara! A entrevista coletiva foi tipo uma aula. É o que eu quero ser quando crescer hehehehe. Depois mais bandas de metal que mesmo sabendo que o público gosta bastante e que funcionam bem em festivais assim, não são atração pra mim.
Segundo dia, o dia que eu achava que estaria mais cheio. Bandas locais boas. Forgotten Boys que manda bem pra caralho! Luxúria que tá na mídia. Ultraje que só tem hit. E uma banda merda no final permitindo que eu fosse pra casa mais cedo, perfeito! Mas a verdade é que o público não acha interessante pagar pra ver boas bandas locais, ainda mais com um preço salgado como foi. Forgotten Boys apesar de estar aparecendo na mídia ainda é uma banda 'super alternativa' porque canta em inglês. Luxúria tocou no ano passado e ainda não ganhou destaque o suficiente na mídia para que o público tenha gosto em pagar pra ver. Ultraje e seu ótimo show cheio de hits, faz esse mesmo ótimo show cheio de hits hà pelo menos 10 anos. Daí, volta aquele assunto, se fosse de graça seria mais divertido, a pré-disposição do público para curtir seria maior. Todas as bandas citadas e as não citadas teriam uma receptividade maior, um público maior e não ficaria aquele espaço entre as pessoas e o frio maldito! Teria mais cara de festival. E se estivesse sendo bom para o público, seria bom pras bandas, e bom pros organizadores, não seria?
Sei que de graça é bom demais (pra voltar a ser verdade), mas "preços populares" fica bom pra todo mundo, não fica? Tipo R$ 10, o famoso "dérreal". Ah! Sim! O preço do ingresso é pra manter bandas como Titãs e Skank?? (que tocaram no domingo, dia que eu não citei de propósito). Então porque não muda logo o nome do festival e coloca Ivete Sangalo também, como o festival de verão de salvador??? Eu tenho certeza que Ivete Sangalo é mais atitude, é mais rock que Detonautas... hehehehehheheheh
Acho que o Porão chegou num ponto em que ou diminui o valor do ingresso, ou coloca mega atrações que não terão nada a ver com 'porão' e talvez nem com 'rock'. Vamos ver então o que vai acontecer.
obs.: Acho legal e até importante mencionar que eu estava na maior mordomia, com minha credencial de imprensa, sem gastar um centavo pra ficar entre VIPs hehehhehe, mas isso não faz o problema desaparecer ou faz??? hehehehhehehe

Érika Martins & Telecats (RJ)
Johnny Suxxx n' the Fucking Boys
(GO)
Lobotomia (SP)

Luxúria
Proto (DF)
Volver (PE)
|

Cólera (SP)
Forgotten Boys (SP)
Os Maltrapilhos (DF)
Matanza (RJ)
Playground (DF)
Rollinchamas (GO)
|
Outros comentários (por Paula Perdão)
Matanza consagrou-se no underground graças à clipes exibidos na MTV que transformaram músicas como "Ela roubou meu caminhão" e "Pé na Porta, Soco na Cara" e seus refrões marcantes
"singalong" em grandes sucessos para o indiscriminado público do festival. Tendo passado por Brasília 2 vezes, os cariocas exalam canalhice e álcool. Se eles pudessem, pegariam todos (principalmente as garotas) pelos cabelos, se é que vocês me entendem (risos).
Os Maltrapilhos, banda ancestral da Ceilândia, veio representar a periferia com seu punk rock básico e direto com letras de protesto. Após 12 anos e algumas demotapes, a banda mostrou músicas do seu recém lançado CD intitulado
"Desemprego-Desespero". Participações especiais como a de Ian, filho do vocalista, no cover "Heróis Verdes" e Redson (Cólera) em "White Riot" do The Clash (pra quem não sabe, Redson tem um projeto cover do The Clash chamado Radio Clash). Eles mantiveram o publico animado com covers menos conhecidos como NADA e hinos como
"Velho Punk" do Gritando Hc e "Commando" do Ramones.
Depois foi a vez da Lobotomia, clássica banda punk dos anos 80 de SP que voltou a ativa a pouco tempo. Pela segunda vez na cidade após a volta, eles contam com o ex baixista do Ratos de Porão e Forgotten Boys - Fralda. Tocaram os clássicos punks "Lobotomia", "Nada é como parece", "Só os mortos não reclamam" e "País Manicômio". Uma verdadeira lobotomia para encontrar as letras empoeiradas e perdidas no cérebro. Um bom show com direito até a mantras do vocalista budista muito doido.
Totem. Se não em engano, é a segunda vez que eles se apresentam no Porão do Rock. Eles fazem um rock entre clássicos do rock'nroll, tipo Led Zeppelin e Raul Seixas. Com um vocalista piradão eles sempre chamam a atenção de todo mundo. E a música do assobio te assombra até... próxima banda, por favor! hehehheheh!
Chega a vez dos maiores representantes do punk rock brasileiro mostrarem toda a experiência de seus 26 anos ininterruptos de estrada e vários CDs lançados. O
Cólera costuma fazer shows longos e incansáveis, o que não é possível em um festival. Mas 45 minutos de Cólera faz a alegria de qualquer punkrocker. No repertório estavam "Qual violência" e "Dia e noite, noite e dia" do cd Caos Mental Geral; "XOT", "Subúrbio Geral", "Medo", "Quanto Vale a Liberdade?" e "Pela Paz em todo mundo" que não podem de forma alguma ficar de fora de um show da banda e claro, as menos ‘clássicas’ "Minha Mente", "ENQ" e a "Deixe a Terra em paz!" que dá nome ao mais recente CD do grupo. A distância entre o público e a banda nunca maior que poucos metros deixou o show mais frio que o de costume. Mas, de qualquer jeito e em qualquer lugar, Cólera serve de exemplo de honestidade, competência, sensibilidade e atitude e é sempre uma ótima pedida.
Segunda noite. A noite mais PROTONS (hehehheheh) começou com Lucy and the Popsonics dos (irmãos? namorados? amigos?? - heheheh), Fernanda e Pil, sim, são só os dois. Bateria programada, guitarra, baixo e vocais, é tudo mais simples do que pode parecer, e a "banda" ou dupla, vem vorazmente ganhando espaço na cidade.
O Playground de São Paulo faz um rock estilo Charlie Brown Jr., Detonautas totalmente sem graça. Tocaram muitos covers também, Ultraje, Legião Urbana, Titãs... faz sentido tocar clássicos das bandas que estarão no mesmo palco??
Johnny Suxxx n' the Fucking Boys é de Goiânia e faz um som influenciado pelo rock dos anos 60 e 70 com letras em inglês totalmente descompromissadas. Músicas animadas e postura "Será que ele é?", glam, gliter... que dá um charme todo especial aos garotos.
Não dá pra ficar parado com o som infernal do Capotones. Tocaram músicas do cd - "Jack D, "Opalão", "Blues Traveco", "Verão Químico"... e 2 novas que mostraram que a banda está num bom caminho. Apesar de uma das músicas ter sido prejudicada por problemas com o amplificador de guitarra, mas que não prejudicou o show, pois enquanto o problema era resolvido tocaram "Folsom Prison Blues" do cada vez mais em voga Jonny Cash. Fecharam com "Cigarrete" do Little Quail um show que agitou bastante o publico com direito à uma grande roda de pogo e tudo mais.
Rollin´Chamas é uma banda interessante de Goiânia que funcionou muito bem no festival. O visual irreverente (vestido, peruca e plumas) no melhor estilo Mamonas Assassinas, conseguiu chamar a atenção do publico. As letras divertidas em português (coisa rara em goiânia) e o vocalista simpático e carismático tornaram o show deles um dos pontos altos do festival.
Não dá pra falar de rock no Brasil hoje em dia sem citar o Forgotten Boys. Eles estão em todo lugar e fazem por merecer. A banda cada vez mais entrosada e madura mostra músicas incrivelmente bem feitas e executadas. Super à vontade no palco, dá gosto ver e acompanhar-los se comunicando entre si para emendar as músicas improvisar durante o show. Abriram o show em grande estilo com “Kick Out the Jam” do MC5 e mantiveram o pique tocando os hits que a banda emplacou nesses anos. Um show empolgante do início ao fim.
Rapidamente, após uma considerável exposição "a nível de Brasil", o
Luxúria volta à Brasília e mais uma vez aos palcos do Porão. Dessa vez com a roupa um pouco mais comprida, né? Mas a vocalista Meg continua dominando a platéia com a sua postura provocadora. Agora com gravadora, cd lançado e com a música "Ódio" bombando, a banda está tocando nos mais importantes palcos do Brasil. Parece que vamos ouvir falar muito de Luxúria, e é merecido, pois eles estão fazendo tudo direitinho.
O Prot(o) esteve sumido por um tempo mas volta com cd novo encontrando um público sempre disposto coloca-los no pódio indie nacional. Tocaram as novas "Fora de esquadro" e "Retrovisor", além das antigas "Encarando a face do mal" (presente na trilha sonora do filme brasiliense 'A concepção') e "onde os porcos pastam longe de mim". Não poderia deixar de registrar o lindo cover de "Hamburger Fields" do Mano Negra.
Bois de Gerião é a banda mais querida de Brasília. Esse nome tão esquisito é palavra gasta na boca de qualquer brasiliense. Entre as grandes atrações da noite, o Bois de Gerião faz todo mundo dançar e até "despirocar" em alguns momentos. Os sucessos "Dia de Sábado", "Virgínia" dos Mutantes e "Nunca mais monotonia" (que dá nome ao segundo e recém lançado cd), deixou a garotada como o baixista da banda - frenético! De bônus, fecharam com o super hit “No One Knows” do Queen of Stone Age.
Mudança surpresa na programação e a ex Penélope abre o último dia de Porão. Desta vez com um projeto mais rock, em
Érika Martins & Telecats. Eles fazem um rock leve, agradável, com direito a orelha de gatinha e tudo mais. A banda está pra lançar cd, o que será o primeiro lançamento do selo 'A toca do bandido'. Tocaram "Do you wanna dance?" conhecida pelos Ramones, em versão espanhol. E que venha logo o cd!
Superaudio, faz um som playboy que não me interessa nem um pouco.
Do Gates para o Porão. O Volver mostrou que funciona muito bem em palcos gigantes também. Apadrinhado por Fernando Rosa, lançaram o primeiro cd deles "s/t" pela Senhor F discos no ano passado, e esse foi o terceiro show deles na cidade. Eles são a melhor banda gaúcha do nordeste (hehehehe). As músicas são gostosas e o show foi muito bem recebido. Destaque para "Você que pediu".
|