Especial
 
Mopho Prot(o) Mary's Band Rumbora
The Maybees Desempregados Mechanics Bidê ou Balde
Ratos de Porão Matanza 10zero4 Detrito Federal
Abril pro Rock Phillipe Seabra Raimundos Macakongs 2099
Phonopop Gramofocas Satan's Pray 100% Bateras

Mopho

Esta sim é uma banda impressionante. Primeiro, porque toca um som genuinamente psicodélico no Brasil. Segundo, porque é do Alagoas. Sim, Alagoas e psicodélico! E quanta qualidade... A banda causou um certo furor nos articulistas do mercado alternativo por causa dessas características inusitadas. O disco de estréia do Mopho, de 1999, é uma aula de psicodelismo sofisticado, nada anacrônico, com reminiscências de Mutantes a Pink Floyd dos tempos de Syd Barret, e o disco novo, que deve sair nos próximos meses, promete ser mais direto e fácil de se digerir. Com vocês, João Paulo, vocalista super simpático e atencioso.

1-Como está a cena roqueira em Alagoas?

A cena tem se estruturado melhor, as bandas têm procurado crescer. Todas têm procurado se profissionalizar, se produzir melhor. Ainda é um pouco desarticulado, tem pouco espaço para shows.

2-Há mais bandas psicodélicas?

Tem algumas sim. Apesar de que nós não queremos nos prender a um estilo, sermos definitivamente psicodélicos daqui pra frente, apesar do nosso primeiro disco ter bem essa cara.

3-E o disco novo?

Já tem outras referências. Não tem tantos teclados e é mais enxuto.

4-Vai ser lançado pela Baratos Afins também?

Provavelmente. Estamos gravando e produzindo toda a parte de estúdio. Podemos lançar também de forma independente. Vamos ver...

5-E o que você acha dessa atitude do pessoal que atirou coisas na banda?

Não fiquei tão incomodado assim. Eu acho que a juventude tem mesmo é que gritar, reclamar. Não estamos querendo unanimidade. Tem pessoas se beijando, bebendo, conversando, curtindo e outras reclamando. É normal.

6-O que você achou de ter tocado no Porão do Rock?

Achei demais. Veja, em Alagoas, tocamos de três em três meses. E é sempre o mesmo show, o público não se renova. Aí você vem pra um evento longe, com repercussão, e aí ao voltar a Alagoas o pessoal se reanima.

7-Vocês fazem shows nos grandes circuitos, como São Paulo, Rio de Janeiro?

A gente tem uns shows marcados em São Paulo, mas queríamos ter a agenda cheia para ao menos nos sustentar com a banda. O ideal seria isso, poder assar para depois comer. Um retorno mínimo. Nós três mais um amigo temos uma banda chamada "Alma de Borracha", que toca pela noite fazendo covers de Beatles, Mutantes, Raul, etc. E a gente vai levando, ganhando mal mas fazendo o que gosta.

8-Como foi o primeiro contato com a Baratos Afins?

Olha, em 1999, quando nosso primeiro disco estava pronto, fomos a São Paulo e conseguimos um pré-contrato com a Paradoxx. Percebemos que a gente iria entrar numa fria e então pulamos fora. Foi quando estávamos na Galeria do Rock e conhecemos o Wilson, da Baratos Afins. Já estávamos com a master, só faltava mixar, falamos que não seria caro lançar a gente, e acabou rolando. Ele é um grande amigo da gente, um cara de fé mesmo...

9-Como está a distribuição de vocês?

Com um selo pobre fica difícil uma boa distribuição. As pessoas acabam tendo que vir atrás do disco, o que dificulta bastante. A gente sempre leva cd's aos shows, vendemos na mão mesmo. Mandamos também pelo correio.

O Show

Tudo bem, os caras sob o palco não são nenhum estouro (talvez se tivessem nascido em Porto Alegre...) Mas a força de suas canções, a potência das melodias, junto com a pontualidade técnica e profissional da banda acabou superando qualquer obstáculo.

No final do show, havia um pessoal da platéia mais hostil, que não teve paciência com o grupo e vaiou o show do início ao fim, culminando o teatro vergonhoso desse público com copos e outros objetos sendo jogados no palco.

O Mopho veio do Alagoas, não recebeu um centavo para tocar, e ainda por cima foi tratado de modo tão desrespeitoso, o que levou o guitarrista a dizer: "Os políticos ficaram em casa mas mandaram os filhos", e então o pequeno grupo de inconvenientes vaiou a banda no coro: "Filha da puta... Filha da puta..."

A EQUIPE