# 6 - setembro 2001

Bois de Gerião

"Bois de Gerião é uma banda que me impressiona de tão boa!"
(Kid Vinil, ao vivo na tevê, após assistir a uma apresentação da banda)

Entrevista: Alvaro e Bianca - Textos: Bruno Cavalcanti - Fotos: Bianca

A mais nova delícia contratada pela PROTONS é uma das bandas mais clássicas do Plano Piloto, o Bois de Gerião. Adorados pela mídia, pelos músicos, e pelo público da cidade, o grupo sempre foi a banda certa na hora certa. Eles irão entrar em estúdio Zen no dia 17 de Setembro, e o disco terá a produção de Phillipe Seabra, da Plebe Rude.
 
Atualmente, o Bois de Gerião é composto por:

Rafael L. Farret (vocal e guitarra)
Tell Vítor (baixo)
Gabriel Coaracy (bateria) 
Foca (sax alto)
Vincente Gautier (sax tenor)
Gustavo Simões (trompete)

Entrevistamos três membros da banda durante um ensaio de pré-gravação com Phillipe Seabra. Dessa vez, Bruno Cavalcanti foi quem tirou o dia de folga, e passou a tarde esquiando na montanhas de Monte del Plata, na Argentina, enquanto Alvaro e Bianca passaram horas conversando com os três rapazes.

Mas antes da entrevista propriamente dita, uma breve introdução aos três integrantes da cozinha da banda:

Rafael L. Farret

Nasceu no dia 30/11/79 e vem de uma família de músicos. Começou a comprar seus cd's aos dez anos, e seus dez primeiros discos foram todos dos Beatles. Começou tocando piano, e aos 7 anos tocou bateria na sua primeira banda com alguns amigos do seu prédio, onde tocavam covers da Plebe Rude, Paralamas e Ultraje à Rigor! Ele se orgulha até hoje de ainda ter uma fita-demo dessa fase de sua vida!...
Em 1990, com onze anos, abandonou o piano e entrou na Escola de Música para tocar violão (depois de ter passeado inclusive pela flauta doce...) Nesse tempo teve várias bandas, que duravam não mais que um show para amigos e familiares na sala da casa de um dos integrantes, onde o ingresso não custava mais que alguns centavos...

Em 1993 entrou na banda Opção Banal onde conheceu Gabriel Coaracy, um amigo que se tornou eterno. Apresentaram-se várias vezes em público, inclusive no Fico de 1994. No mesmo ano, Rafael conhece Tell e Roberto. Guitarrista também da já famosa Prot(o), junto com Pinduca, Pedro Ivo e Cristóvão. Depois do contrato multi-milionário com a PROTONS, Rafael decide abandonar o Prot(o) para se dedicar única e exclusivamente ao Bois de Gerião.

Tell Vítor

A figura enigmática que atende pelo nome de Tell, nasceu em 3/8/77. Começou no rock muito bem, obrigado, pois o primeiro rock que ouviu, aos três anos (que memória!), foi "I Love it Loud", do Kiss (e quem não começou com o Kiss dessa mesma forma?) Nunca foi muito materialista, ligado em colecionar discos ou cd's - e isso explica a maneira "cuidadosa" com que cuida dos cd's que pega emprestado...

Quando pequeno era um "bikecross" dos melhores, bem na época das monarks da vida. Mas depois de muitos estabacos, seu irmão dá a idéia de tocar algum instrumento, que ele acha interessante e opta pelo contra-baixo aos quatorze anos. Em 1994, já tinha uma banda de punk rock chamada Excremento, que tocava covers do Exploited, DRI, Sepultura, Slayer.

Depois começou a tocar com seu primo, Roberto, no que viria a ser o Bois de Gerião.

Gabriel Coaracy

Nasceu em 20/4/78, e começou a ouvir rock por programas de tevê, como o nostálgico Globo de Ouro, com RPM, Paralamas do Sucesso, Ultraje a Rigor! - que foi seu primeiro vinil. Tem em sua coleção algumas bizarrias como Fausto Fawcet (sic)! Mas a grande paixão de sua infância foi João Penca e seus Miquinhos Amestrados. No mundo dos cd's, começou com Titãs e Raul Seixas.

Aos 12 anos, em 1990, começou a tocar bateria junto com seu pai. Conheceu o Tell em 1992, na escola e começaram a fazer barulho na sobreloja da locadora da mãe de Tell. Entrou para o Opção Banal (antes do Rafael ingressar na banda) que terminou em 1995. Além disso, tocou com o Tharsis, do Jack Fluster, no conjunto chamado Gardenal 500, em 95.

Mas afinal o que significa Bois de Gerião?

Roberto havia lido no livro "Os 12 Trabalhos de Hércules", de onde tirou o nome Bois de Gerião. E o que é "Os Doze Trabalhos de Hércules"? Mitologia grega, sobre a história de Hércules - o Invencível...

Como prova de coragem, Hércules recebeu doze desafios do Rei do Olimpo, Euristeu. O décimo trabalho é o Bois de Gerião, onde Hércules deveria recuperar o gado mágico roubado por um gigante chamado Gerião. Lindo isso, não?!?

*Muitas figuras clássicas de Brasília já passaram pelo Bois de Gerião ou tem algo a ver com a banda. A seguir, um resumo de cada personagem que aparece neste texto:

Roberto: Mais um dos ilustres primos do Tell, fundador e guitarrista da banda.

Catarina: Ex namorada de Tell e primeira tentativa de vocalista da banda.

Jason: Primeiro baterista do Bois de Gerião, que deixou muita saudade na banda. O público, durante muito tempo após sua saída, costumava gritar em coro seu nome antes do show. Ao sair da banda virou Dj, trabalhou com tatuagens e hoje em dia especula-se ter virado crente.

Fábio: Primeiro vocalista ”oficial” da banda, gravou a primeira fita-demo e é autor de algumas letras até hoje executadas por eles. Largou o rock pra se dedicar à advocacia.

Guto: Ex guitarrista do Bois de Gerião. Hoje mora em Minas gerais, onde se dedica ao seu futuro profissional, mas vez ou outra retorna ao seu passado em Brasília.

Pinduca: Ex-vocalista do Maskavo Roots e atual vocalista do Prot(o).

Tharsis: Guitarrista e um dos cabeça do Jack Fluster.

Rafael Ramos: Ex-baterista do Baba Cósmica, que foi apresentador da MTV. Tinha o selo Tamborete. Hoje em dia produz discos, como o primeiro do Los Hermanos, Bidê ou Balde e Vídeo-Hits.

Toco (Marco Antônio): Ex-vocalista do Bois de Gerião.

Phú: Dã...

Txotxa: Ex-baterista do Maskavo Roots e Bois de Gerião.

Alessandro: Ex saxofonista do Bois de Gerião.

Júlio (Sapão): Ex-Matacumbax, ex-Barracudas e atual Quebra-Queixo. Trabalhou no estúdio Bethoven junto com o Alvaro e é atualmente stage manager do Natiruts (ex-Nativus) e empresário do Bois de Gerião.

109: Rua de Brasília repleta de bares onde a juventude gasta suas noites de fim-de-semana andando pra cima e pra baixo.

E agora, sem enrolação, vamos à entrevista:

1-Porque o Roberto saiu da Banda?

Tell: Porque ele tinha ido morar na minha casa, e nossa relação se desgastou muito. A gota d'água foi quando fiquei com a Catarina (primeira tentativa de vocalista do Bois de Gerião), ele era meio afim dela...

Rafael: Eu acho que ele já queria sair, porque ele era muito mais músico. Na época do Jason, a banda era punk rock...

2-Porque o Jason entrou?

Tell: Ele era doido demais! (tempo de lembrar sobre o Jason) E ele andava com a gente e tocava bateria, a gente estava precisando, aí a gente propôs a ele e ele aceitou.

3-E o Guto?

Rafael: Ele entrou na banda quando tinha 14 anos e tocava na banda Maridos da Dora. Ele tinha um visual de roqueiro, lembro a primeira vez que o vi: ele estava fumando, com gorro e casaco de flanela! Ele sempre ouviu muito Jimmy Hendrix, e por isso, sempre queria solar na guitarra. Então ele entrou porque tocava bem e já tinha alguma influência de som porrada.

4-E a primeira demo?

Rafael: Foi gravada num estúdio caseiro legal no Lago Norte. O estúdio era do pai de um amigo do Guto do Colégio Militar, ele estava montando esse estúdio em casa e queria fazer uns testes... Gravamos em rolo três músicas! E logo depois houve uma obra, além disso todo mundo viajou de férias, e só sei que acabou que ninguém tocou no material, ele se perdeu...

5-E a demo de 95, "Love me Tender"?

Rafael: A gente tinha tocado no SESC, que foi um puta show. Decidimos gravar uma fita demo. O Maskavo Roots já tinha gravado o disco deles, o Pinduca estava em Brasília e ele nos ajudou na gravação.

6-Porque o Fábio, que fez as três letras da primeira demo, saiu?

Rafael: Na verdade foi mais a gente que tirou ele. Ele saiu logo depois do show do Balakobako, em 96. Ele não tinha o gás que a gente queria.

7-E quando vocês tiraram o Fábio já tinham alguém em mente?

Rafael: Não, a gente ficou muito tempo sem vocalista, chegamos a fazer alguns testes até mesmo com o Gabriel Judeu, do Gardenal 500, mas não deu certo.

8-E o Toco?

Rafael: O Jason quem trouxe o Toco num ensaio no Estúdio Jam's.

Tell: A gente não tinha ninguém, ele era todo doidão e se mostrou interessado pra caramba...

Rafael: E ele já tinha algumas coisas; ele tinha uma fita de uma banda que ele tinha gravado (inclusive com a Bianca!) e se mostrou afim de se dedicar.

9-Como estava a banda nessa época?

Tell: Pois é, o Toco já era meio louco, e tinha o Jason que era muito doido e chegava sem as músicas na cabeça, não tinha como levar à sério!

Rafael: Você já chegava tenso no ensaio e saia arrasado... (risos)

Tell: Durante três anos, a cada erro na bateria, a culpa era do chimbal e do pedal do bumbo - nunca dele!... Ele podia errar a virada nos tons que a culpa estava no chimbal. (risos)

Rafael: Então, quando o Toco entrou, a relação com o Jason já estava insuportável.

10-E o Banana?

Rafael: Em 96, o Phú tinha chamado a gente para participar da coletânea Banana 2. A gente gravou as três músicas da demo e um rap - a primeira música que fizemos com o Toco. E ele tinha pouquíssimo tempo de banda, acho que uma semana! Portanto, o vocal não estava bom.

Tell: Mas ele mudou bastante com o tempo...

Rafael: Já na segunda demo, ele cantou pra caramba, com muita interpretação e tal.

11-E o resultado agradou vocês?

Tell: O Phú na época era trinta quilos mais gordo, trinta anos mais velho (risos) e chegou pra gente e disse: "Vou gravar um cd, querem tocar?" A gente disse: "Beleza!" Eu lembro que ele perguntou uma banda de referência do nosso som, e o Jason e o Toco disseram: Voodoo Glow Skulls, e eu disse Dance Hall Crashes! E ele pirou! (gargalhadas).

Rafael: E foi muita grana investida, nunca tínhamos entrado num esquema desses. E foi aí que o Jason provou ser um grande baterista.

12-Logo depois disso vocês tiraram o Jason?

Rafael: Depois de uns meses sim. A gente teve que fazer isso...

Tell: Ele começou a matar muitos ensaios. E no início ele roubava a mãe dele para pagar os ensaios, comprar pratos, etc. Ele colocava toda a energia dele na banda; de dia e de noite. O que aconteceu foi que ele passou a usar a energia dele em outras coisas.

Rafael: Teve um show, Bois de Gerião e Sem Destino, que o Jason não chegava, e soubemos que ele estava de castigo na casa do pai dele, no Lago Sul. Fomos lá de carro, e ele pulou a cerca! (risos)

Tell: Ele estava muito difícil nessa época, muito radical. Ele só tocava porrada, hardcore.

Rafael: E aí a gente chamou o Txotxa para tocar. Ele já tinha saído do Maskavo Rootse havia um show marcado junto com o Little Quail and The Mad Birds e o Nocaute Koiçe, isso no final de 1997.

13-E o Txotxa entrou e gravou a segunda demo, certo?

Rafael: Sim. A gente já tinha algumas músicas feitas com o Jason e gravamos a 2a. demo, pois o Banana já estava desatualizado. Demorou muito para sair.

14-Vocês tiveram muito retorno com o Banana?

Rafael: Não. Fora de Brasília foi um pouco mais. A gente foi tocar em São Paulo pela primeira vez no ano passado! E um pessoal de Sampa tinha procurado a gente antes desse show e perguntado se tocávamos Rap, música que só tem no banana! (risos) E também logo depois de gravarmos o Banana, a banda já estava bem diferente.

15-E quando o Txotxa saiu?

Rafael: Ele começou a faltar aos ensaios, a se desligar... Mas quando ele estava na banda foi muito bom, ele nos ensinou muita coisa de estrutura de palco, o nosso show melhorou bastante. O Jason era mais HC, e o Tchotcha fazia mais firulas na bateria, como chimbal fechado e coisa do tipo. Depois que ele saiu, o Toco começou a sentir falta do Jason (risos). Ele não gostava do que o Tchotcha fazia, e estava andando com uma galera diferente, mais punk...

Tell: Mas o Toco era um músico muito bom, ele fazia a parte dele muito bem!

Rafael: Ele falava: "Há, eu estava brincando com o teclado lá em casa..." e tinha montado umas coisas impressionantes! Ele tocava um pouco de tudo: bateria, baixo e guitarra...

Tell: Mas a gente tirou ele porque queríamos uma coisa e ele outra. Isso era expresso nos ensaios, que ficava com todo mundo com a cara fechada. O Guto e o Foca tiraram o Toco, isso no finalzinho de 98.

16-O Toco fez muita coisa na banda...

Rafael: Sim, na segunda demo tem muitas músicas e letras do Toco, e ainda umas coisas maneiras que nunca foram usadas... Tem muita coisa que nunca tocamos...

Tell: (viajando pela galáxia dos sentidos) Na verdade, as músicas estão espalhadas pelo universo. O artista tem somente que captá-las. Como numa escultura, que já está dentro do cara! (muitos risos)

Rafael: (que de imediato entrou em sintonia holística com Tell) Vamos aproveitar essa energia boa que tá rolando agora... (e começam a tocar as tais músicas na base do assobio e estalos de dedos, tudo influenciado pela acústica cósmica da percepção metafísica do ambiente.)
...
(depois de retornarem ao planeta terra:)

17-E o Foca, quando ele entrou?

Tell: Eu que convidei ele para entrar na banda. Ele conhecia mais sons que eram do nosso estilo!

Rafael: Ele nem sabia tocar antes de entrar na banda. Mas um ano depois, ele já tinha o saxofone e aprendido a tocar. Ele entrou depois da segunda demo, logo depois do Alessandro sair.

Gabriel: Eu entrei em julho de 98 e o Guto saiu em janeiro de 99.

18-Porque o Guto saiu?

Tell: Pressão de casa, ele deveria estar indo mal na escola. Aquela rotina de ensaio, ensaio, sem progredir muito... Ele já estava mal-humorado nos ensaios e disse: "Acho que vou sair..." 

Rafael: E eu já pensava, antes do Guto sair, que duas guitarras deixava tudo muito complicado. E quando ele disse que iria sair, eu já via um lado bom nisso. E de certa forma saíram as pessoas que eram mais difíceis de se lidar, como o Guto, o Toco e o Jason.

19-E vocês chegaram nessa formação atual sem saber como seria dentro da banda...

Gabriel: É, em 99 a gente não sabia quem cantaria... 

Rafael: A gente começou a perceber que somente uma guitarra seria melhor mesmo, daí eu peguei coisas que o Guto fazia e comecei e incorporar.

Gabriel: A gente não sabia quem cantaria, e chegamos a chamar algumas pessoas para um teste, como o Léo do Uga-Uga e o Grilo do Los Danones...

Tell: E aí a gente viu que seria muito complicado arrumar alguém que se dedicasse a banda, se interessasse, tivesse atuação de palco, pagasse os ensaios...

Rafael: E a gente já tinha pensado na hipótese de eu cantar. Mas eu tinha ficado nervoso na época, eu tremia...

20-E como vocês entraram no Porão do Rock (2a. edição)?

Tell: Eles não são trouxas, cara. A gente representava a galera skate com o skacore, assim como o Gramofocas representa essa galera de hoje... Por isso chamaram a gente.

Rafael: No primeiro Porão, havia só bandas dos caras. Já no segundo, de 99, eles abriram espaço pra mais bandas e colocaram a gente mais para atrair esse público, tanto é que fomos a terceira banda e tocamos de dia...

Gabriel: A gente não tinha a menor estrutura para tocar num festival como o Porão do Rock, era muito maior do que a gente podia suportar... Eu lembro que fiquei gravando num cd-r a primeira e a segunda demo, fiz uma capa improvisada e entreguei para os caras...

21-Vocês se tornaram unânimes depois do festival...

Rafael: Lembro que num programa de TV anunciaram a gente: "Com vocês, os bicampeães do Porão do Rock!" (risos) Todo mundo se impressionou com a gente, mas simplesmente fizemos o nosso show. Foi quando a Abril Music estava começando, eles tinham pego o Los Hermanos e falaram pra gente: "Vai lá que vocês vão se dar bem..."

Tell: Mas a gente não tinha uma estrutura, não tinha nada ainda!

Gabriel: No final desse ano (1998), o Rafael Ramos nos ligou para participarmos de uma coletânea do selo Tamborete, mas a gente não entrou.

22-E a terceira demo ("O Melhor do Bois de Gerião")? 

Rafael: Após a boa repercussão do show do Porão do Rock em 99 sentimos a necessidade de apresentar um bom material, atualizado, com a formação atual, às gravadoras e ao público. 

23-E como foi lançada pela Monstro Discos? 

Rafael: O pessoal do Prot(o) começou a tocar em Goiânia, em 98. E começamos a conhecer o pessoal de lá. A gente já tinha gravado no final de 99, e um ano depois a Monstro pegou, lançou e distribuiu.

24-E como veio o Júlio (Sapão), o empresário de vocês?

Tell: A gente já tinha comentado que queríamos um empresário. O Júlio já estava trabalhando com o Natiruts em São Paulo, e um dia encontrei ele na 109 e deu o telefone dele. Eu comentei no ensaio várias e várias vezes e aí decidimos ficar com ele.

Gabriel: Ele foi no ensaio, e a gente decidiu pegá-lo, sem nenhum compromisso.

Rafael: Ele entrou antes do segundo Porão, onde ele ajudou com a montagem da luz, do palco...

Tell: Ele que falou: "Vocês são uma banda pop, vão tocar com todo mundo, desde o Batom na Cueca até..." (risos) E ele que começou com a coisa de passar som, mapa de palco...

Gabriel: Ele tem um lado muito bom - ele é muito organizado, e isso é impressionante!

25-Vocês estavam atrás de gravadoras antes do fabuloso contrato com a máquina de fazer dinheiro chamada PROTONS?

Rafael: Bom, depois do Porão, o Rafael disse que queria lançar a gente pela Tamborete. E pela boa repercussão do festival, a gente decidiu esperar por uma proposta melhor. E ele disse: "Meu pai gostou, vamos conversar melhor..." E o pai dele era diretor artístico da Abril Music e dono da Deck, uma gravadora nova que tinha tudo para ser forte, pois tinha lançado discos do Ultraje a Rigor!, Los Hermanos, Ira! e Maskavo Roots. Ele disse que arrumaria uma gravadora legal pra gente, e assim ficamos em "stand by". E ficamos um ano inteiro esperando, íamos para reuniões com a BMG, EMI, Sony, e eles diziam que não era a hora ainda, para esperarmos uma melhoria do mercado... E o Rafael ficava puto e já pulava para outro esquema com outro selo!

Tell: Havia muitas propostas tentadoras, do tipo que a gente iria gravar no Rio, por não sei quantos mil e tantos reais, com tudo pago, e festa de lançamento aqui, comemoração ali...

Rafael: O mais foda é que a gente é uma banda com certo renome, levando em conta que não temos um disco lançado, e já fomos recusados até pra tocar quando souberam disso. Somos ainda uma banda de demo... E por outro lado, não podemos tocar numa rádio, colocar nossa fita pra tocar lá, porque não somos mais uma banda nova. Mas com o Júlio aí espero que tudo dê certo! Ele disse que deveríamos gravar um disco até o fim de 2001.

26-Quando a gente fez a proposta para a banda, vocês ainda estavam analisando propostas com gravadoras...

Gabriel: É, inclusive com outras independentes.

Rafael: Tudo que a gente quer é ter um disco bom pra caramba, e que o telefone do Júlio não pare mais de tocar!

Tell: E a gente diga: "O cachê da banda é esse..." E pronto!

27-Vocês acham então que a PROTONS foi a última opção?

Rafael: Não, foi uma boa opção!

Tell: Boa resposta... (risos)

Rafael: É aquela coisa, a gente conversou bastante sobre isso. Se der certo pra gente, dará certo pra vocês. E tem uma coisa que eu acho, é que, nesse ano e meio em que rodamos pelas grandes gravadoras, chegavam pessoas que eu nunca tinha visto, me abraçando, e dizendo: "Sua banda é demais, vocês vão vender milhões! Em que bairro você quer sua nova casa? Qual será a cor da sua Ferrari?" E eu senti que a gente estava sendo iludido, que a gente precisava pôr os pés no chão! A gente pensou: "Caramba, a gente foi lá longe, e a solução estava aqui, do nosso lado!".

 

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