# 29 - março de 2004

Emo.

por Amanda Chacel
com a colaboração de Bianca Martim

1- Quando e como o Emo. se formou? Vocês vieram de outras bandas? Como foi a primeira apresentação em público?

O Emo. se formou em 1999, depois que uma outra banda, na qual eu, o Juca e Marcelão tocávamos, ficou sem vocalista. Conheci então o Tuirow na minha faculdade e vi que ele ouvia o mesmo som que a gente e sabia tocar guitarra. Depois do convite, pintaram uns ensaios, demos e quando vimos ele já estava integrado na banda. O primeiro show, por incrível que pareça, só veio cerca de 6 meses depois da entrada do Tuirow e já até tinhamos uma demo de 6 músicas próprias gravadas. O primeiro show, foi como tinha que ser...tosco, mas energético: diversão pura, pelo menos pra nós! hehehehehehe.

2- Como foi feita a escolha do nome Emo? Vocês se consideram uma banda de emo/emocore?

Com a entrada do Tuirow na banda, decidimos por um nome de banda novo, já que tinhamos muitas música novas e estávamos a fim de um novo começo. Tivemos várias sugestões de nomes e até chegamos a adotar durante uma semana o nome 'Quartier 90', mas não ficamos satisfeitos... 

O nome 'Emo.' surgiu de uma idéia que eu tive, de buscar o nome da banda a partir de nome de músicas de algumas bandas que eu curtia. Quando vi no CD Dude Ranch, do Blink 182, a faixa 10, na hora pensei: "Ta aí o nome da nossa banda: Emo!!!" Tinha tudo a ver com as letras e idéias da nossa banda. A gente falava sobre sentimentos e experiências de vida que encaixava legal com esse nome... O pontinho depois do "emo" no nome apenas ajudou a formar o logo e também diferenciar o nome da banda do estilo de música emo. Mas engraçado que muita gente chama a gente de "emoponto" , mas na verdade, o jeito "correto" de falar o nome da banda é emo mesmo...suprimindo o pontinho... hehehehe ....frescura nossa mesmo!

Nunca nos rotulamos como banda de emocore, até mesmo porque raramente tocamos hardcore ou músicas com uma pegada mais densa. Acho que o conceito de emo hoje é bem aberto. Desde Dashboard Confessional, que é um som basicamente acústico, até Jimmy Eat World, com seus riffs dançantes, são considerados emo. Rites of Spring, Thursday, Thrice, sons bem porradas também são considerados emo. No Kazaa, eu encontro algumas mp3s do Weezer dentro de pastas emo....ou seja...o rótulo desnecessário só serve pra quem não conhece som e quer enquadrar ele em algum genêro. Quem gosta de música vai ouvir o som independente de rótulos ou qualquer outra coisa.

3-Quais eram as influências no início da banda? Elas permaneceram as mesmas? E as inspirações para as letras, vêem da onde?

As influências do emo. sempre foram muitas. No início, em 1999, ouvíamos muito Descendents, Unwritten Law, Face to Face, Mxpx e Blink 182. Compondo em português a gente sentia que a gente mesclava essas influências com sons variados, tipo a melodia do Rock Brasil anos 80 e algumas ideias musicais que ficam na cabeça, de tanto que vc já ouviu na vida, como Guns n Roses, Nirvana, Green Day, Ramones e até mesmo Madonna (isso eu posso dizer, no meu caso! heheheh)

Hoje as influências ainda são as mesmas, é claro que algumas bandas novas também surgiram como formadores de opinião, como o próprio Dashboard Confessional, Mae, Arthur, Hot Rod Circuit, entre outros. Mas a gente é bastante aberto a muitos sons e não temos muito preconceito com músicas de outros estilos. Exemplo disso , hoje mesmo estava ouvindo o single novo da Britney e gostei da música. O clipe é meio tosco, mas a música tem uma pegada muito boa. 

Sobre as letras, a inspiração sempre vem de perto. De relacionamentos que a gente vive e compartilha entre nós, seja uma namorada que nos largou, um amigo que partiu ou uma angústia que nos perturba. Geralmente as melhores letras são aquelas que quando ficam prontas todo mundo diz: "Caramba, isso aconteceu comigo exatamente dessa forma!". Isso é legal, conseguir fazer uma letra que parece que foi feita sob encomenda. Quando isso acontece, a gente fica muito satisfeito. Quando não acontece, a gente toca ela do mesmo jeito...hehehehehe.

4- Recentemente pude assistir a um show de vocês aí no Rio, e no set list já estavam incluídas algumas músicas novas e posso dizer que elas me soaram um pouco mais “pop”, vocês concordam? O contrato com a gravadora pode ter afetado algumas mudança?

Não concordo. É claro que todo mundo fala, quando uma banda assina com uma gravadora de grande porte, que a banda vai mudar o som, ficar mais pop, vendida e etc. Só que no nosso caso, isso foi uma preocupação central. Tanto, que do CD que será lançado pela EMI, escolhemos regravar 7 músicas que estavam na demo. Algumas estão até mais agressivas do que estavam na demo. Quem conhece o nosso CD demo sabe que a gente sempre teve baladas de violão, músicas calmas e nada de hardcore. Então quem gosta da demo vai gostar do nosso CD oficial que será lançado. Nunca fomos hardcore. Sempre tocamos músicas dando ênfase a melodia. 

Sobre as músicas novas, acho que elas estão até um pouco mais fortes que as antigas. Algumas estão mais densas até, com uma carga emocional mais intensa do que muitas presentes na demo. A nossa gravadora, a EMI, teve uma postura excelente e que a gente ficou muito satisfeito e que fez a gente confiar no trabalho que vai ser feito. Eles nunca exigiram nada, questionaram nada sobre o nosso som. As 15 faixas que a gente gravou para o CD foram escolhidas somente pelos 4 integrantes do emo. , sem nenhuma influência e o produtor do disco, o Dado Villalobos, entendeu isso e fez com que a gente gravasse o CD do jeito que a gente queria. Estamos muito muito felizes e orgulhosos do trabalho.

5- O que acham das bandas independentes do Brasil? O Emo ainda continuará marcando presença nos eventos underground e tocando no mesmo palco de bandas independentes? O Emo provavelmente vai ganhar algum espaço na mídia. Vocês acham possível abrir portas para outras bandas?

Acho que o mercado independente tem bandas muito mais interessantes do que rolam nas majors aqui no Brasil. Sinceramente acredito que muitas dessas bandas que hoje ainda estão no estágio de ralação e muito suor no underground vão chegar nas majors e mostrar que música é paixão, não uma ciência exata de "Verso/refrão/Verso/refrão/refrão", como muitos engravatados pensam que é música.

Sempre ajudei as bandas de amigos, assim como eles me ajudaram, e assim continuarei. Sempre que tenho oportunidade eu mostro CDs e demos de bandas que eu curto pros caras de gravadora. Até recentemente eu apresentei um amigo meu de uma banda famosa no circuito underground para uma gravadora grande. Quero muito que o cenário do Rock Brasil mude...Espero que o Emo. consiga atrair atenção para esse mercado que faz música por prazer, não por dinheiro.

6- Parece que o cd de vocês a ser lançado pela EMI vai se chamar “melhores dias” e está sendo masterizado em São Paulo, o que mais vocês podem nos adiantar sobre esse trabalho? 

Exato. Masterizamos o CD e ele será batizado de "Melhores Dias". Ele terá 15 faixas, sendo 7 regravações da demo e 8 músicas inéditas, que nunca foram gravadas. Gravamos ele todo no Rio de Janeiro em novembro e mixamos em dezembro. O CD "Melhores Dias" foi produzido por Dado Villalobos, ex-guitarrista da Legião Urbana. Trabalhar com o cara foi demais. Além de ser um cara que sabe muito, se tornou um ótimo amigo e se pudesse ele entraria na banda facilmente!! (quem sabe, um dia!?) eheheheh Depois do carnaval a gente escolhe a música de trabalho, gravamos o clipe e começamos a divulgação pelo Brasil a fora, com o CD chegando nas lojas é claro.

7- A música de trabalho do novo disco ainda não foi escolhida, certo? Vocês pensam em escolher alguma das faixas presentes no demo, ou é mais provável que seja alguma das novas músicas?

Sinceramente a gente não sabe ainda. Estamos esperando passar o carnaval para decidir isso. A gente tem umas 2 ou 3 músicas como preferência de single, sendo que 2 delas são faixas que estavam na demo. Mas como a gente ainda precisa se reunir com a gravadora e ouvir o que eles tem de sugestão, não posso adiantar ainda o single. Mas seja qual for, gravamos as 15 músicas que a gente considera as melhores da banda, que a gente tinha até o momento...e eram mais de 30 faixas que a gente tinha pra escolher!!

8- Pelo que eu sei, o Digão dos Raimundos foi produtor de vocês, e parece que o Raimundos até já teve uma das suas músicas no set list de um show, ele ainda é o atual produtor? Vocês gostam de Raimundos? Por quê o Digão?

A gente conheceu o Digão durante a gravação do "Só no Forevis", disco do Raimundos que tem "Mulher de Fases", entre outras. Eles gravaram o CD aqui perto de casa e a gente acabou conhecendo os caras e virando amigo deles. Depois de um tempo o Digão ouviu a demo e curtiu. Pra gente foi muito foda saber que o guitarrista de uma banda que a gente se amarrava muito era fã da gente também. Demorou pra cair a ficha.

Mas o Digão nunca foi o nosso produtor. O que aconteceu foi que ele ajudou e muito a divulgação da banda. Ele vestiu a camisa do Emo. e sempre que podia ele citava a banda e mostrava pra quem pudesse. Ele foi muito importante para que o Emo. chegasse aos ouvidos de gente fora do mercado underground. Ele curtia tanto o nosso som que ele chegou a tocar em um show do Raimundos a música "Seu Retrato", que está na nossa demo. Seremos eternamente gratos por ele ter divulgado a gente, na fase que a gente mais precisava. Ele sempre acreditou na gente e isso nos dava uma força pra continuar correndo atrás do nosso sonho sempre.

9-A banda tem projetos paralelos? A que vocês dedicam seu tempo além do Emo.? Outros empregos...

Nunca tivemos projetos musicais paralelos. Apenas o Tuirow, vocal do Emo. , que tem uma banda cover de Misfits, mas que só fez uns 2 ou 3 shows até hoje...é apenas por diversão mesmo. Eu não consigo me ver tocando em outra banda, pois direciono toda minha atenção pro Emo. . Já toquei bateria no Hill Valleys e no Staples durante um tempo, mas o que eu me amarro mesmo é ser fiel, no Emo. !!! heehehehehehehe

Todos nós trabalhamos muito durante um tempo. Eu já trabalhei como jornalista, sonoplasta, assistente de gravação e outros bicos. Sou formado em Comunicação desde 2002. O Juca, baixista, também é formado em Design e também sempre trabalhou nessa área. O Marcelão ainda estuda Informática, como o Tuirow cursa História. Ambos estão terminando a faculdade. Mas todos nós tivemos que largar nossos trabalhos para gravar o CD com calma. Não que estamos reclamando....pelo contrário! hehehehe

10- O emo Já participou: Trilha sonora de 4 filmes de surf: "Rip Curl" Search Sessions 2000, 2001 e 2002" e "Grom Searcth” como foi que vocês conseguiram isso? E como foi fazer?

Na verdade foi uma escolha do diretor do filme. Ele sempre esteve de olho e buscou dar força a bandas underground e ele sempre curtiu o Emo. e sempre que podia inseria uma música nossa na trilha. Ele é um cara que vai a shows underground há anos e conhece várias bandas desse segmento. Sobre a escolha do Emo. nos filmes dele, vou parafrasear o próprio direto: Segundo ele, " o som do Emo. um dia vai vender muito, e quando isso acontecer, eu vou ficar famoso porque vão ver que eu sabia disso há tempos...

hehehehe... um cara de visão ele era!! Ele acabou ajudando a gente também editando imagens de shows, video releases do Emo. que a gente fazia pras gravadoras e etc.. Brincadeiras à parte, o diretor desses filmes, assim como o Digão, sempre nos deu força na divulgação. É mais um que vestiu a camisa da banda e correu atrás também.

11-Com toda essa bagagem de shows, qual foi o mais marcante até hoje, aquele show que vai ficar pra sempre na memória da banda?

Acho que pra todos da banda, o show do dia 29 de março de 2003, quando a gente abriu pro Dance of Days no Hangar 110 foi inesquecível. Além de ser nosso primeiro show no Hangar, que é uma casa foda, foi lá que o "olheiro" da EMI viu o primeiro show do emo. e se impressionou. Foi a partir desse dia que a gravadora começou a demonstrar real interesse em assinar com a gente. Por isso somos gratos ao Alemão do Hangar e toda a molecada que foi naquele dia e agitou no nosso show!!!

12- esse espaço é d vocês, boa sorte nessa nova etapa e digam o que quiserem: 

Espero que a gente lance esse CD e todos curtam. Gravamos esse CD da forma mais sincera possível, sempre lembrando do nosso passado, com muito orgulho, e espero que as pessoas captem essa energia. Tomara que além de nós, outras bandas consigam assinar, lançar o seu CD e viver de música. É o sonho de qualquer pessoa que um dia aprende a tocar um instrumento. Se a gente conseguiu, qualquer pessoa pode conseguir. Parece piegas, mas é verdade.

Abraços a todos. Obrigado pelo espaço!

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