# 29 - março de 2004

Fistt

por Alvaro Dutra 
com a colaboração Delton e César

1- O Fistt se destacou por ser uma banda do interior que conseguiu um reconhecimento nacional. Queria que vc falasse um pouco da historia da banda, das dificuldades, das conquistas e do rotulo "roça".

F. Nick: - bom, começamos em 94 e como toda banda iniciante não sabíamos tocar praticamente nada, a gente apenas queria tocar então começamos, dentro de nossas limitações, a compor músicas simples que falassem de nosso dia a dia. No ínicio além de algumas músicas próprias, a gente tocava também covers dos Ramones, Misfits e outras bandas que nos influenciaram. As dificuldades sempre existiram, desde o lance de você não ter um equipamento pra ensaiar no início até as "barcas furadas" que rolam até hoje durante as tours nacionais, tipo.. é um lance foda e quem ta no meio sabe muito bem como que é... tem que literalmente amar o que você faz e se dedicar pra isso, talvez essa seja até a razão da gente ver muitas bandas começar e parar do nada. Quanto ao rótulo "roça", isso já vem desde o tempo dos Muzzarelas, que com certeza é um dos maiores pixadores da "roça" ehhe e essa banda foi uma das primeiras a abrir as portas pra todo mundo da "roça". O lance vai até um pouco mais além, pois, por exemplo.. vou falar o que rolou com a gente.. acho que foi em 97.. por aí, a gente tinha acabado de lançar a primeira demo e como naquela época não tinha tanto ou praticamente não existia internet com tanta facilidade igual hoje, a mídia alternativa era concentrada nos zines como todo mundo sabe.. bom.. mandamos uma fitinha via correio p/ um zine e na resenha saiu um lance do tipo "banda típica do interior paulista com letras rídiculas" - meu.. ae foi o começo de tudo.. tipo.. até achar a gente ruim, nada de errado eheh, mas "banda típica do interior" poxa.. achei a maior sacanagem... e foi daí pra frente que começamos a usar o "hardcore do interior" em nosso logo, camisetas etc... parece até coisa de muleque cabrero, mas com o tempo, muita gente começou a sacar qual que era... que era um lance de "nós também temos voz", "não somos melhores nem piores do que ninguém"... tipo.. que era um lance de igualdade... hoje você vê bandas com o "rótulo" hardcore do mato, hardcore do velho oeste, hardcore da selva... acho bem legal isso, pois você evidência suas origens, se você é da roça, não queira pagar de gringo, tenha orgulho de ser caipira e falaRRR arrastado... heeheh

2- Vcs acabaram de lançar o CD "Vendo as coisas como você". O que mudou entre o primeiro CD e esse? E fale um pouco sobre esse CD.

F. Nick: pra falar a verdade estamos aguardando ele chegar da fábrica ainda, lançamos o video clipe e algumas músicas antes do cd p/ agilizar o processo de divulgação, foi uma opção da banda e da Oba! e todo mundo achou legal fazer.

O disco tem 13 músicas e com certeza é o nosso melhor trampo até o momento, digamos que está um pouco mais trabalhado em quesito produção, ficamos quase 1 ano compondo p/ que fosse um disco bem legal. Eu vejo esse disco da seguinte forma, quando gravamos o primeiro, em 99 tínhamos uns 18 anos, por aí..já no "Finais iguais" todo mundo beirava os 21-22 e no "Vendo as coisas" todo mundo já está fazendo bodas de prata eheh, então com o decorrer dos anos, você consegue se expressar melhor, é um processo natural de evolução, porém o nosso estilo de compor é o mesmo, não vamos fazer letras inteligentóides e músicas com mais de 3 minutos, não sabemos fazer isso e também não pretendemos aprender.. a barulheira é a mesma de sempre e isso não vai mudar mesmo...

3- Junto com o CD, vcs lançaram o video da música "Medo". Esse é o terceiro video da banda e isso é bem complicado no mercado independente. Gostaria que vc falasse um pouco sobre como surgiram as oportunidades pra fazer cada video, como foi a experiencia de cada um, vcs gostam de gostaram de faze-los?

F. Nick: nosso primeiro clipe foi "Vinteum" de 2001. Tudo começou meio que na brincadeira, o Helinho (baixista do Food4Life) tinha feito o video da banda dele com uns amigos da gente, o pessoal da Toro (que também é a galera do Questions) e ele perguntou "po.. por que vocês não fazem um clipe?" ae na hora eu já pensei na fortuna que isso ia custar.. bom... passou o tempo e a gente entrou no home video "SP Hardcore Scene" e como já tinha algo filmado e meio mastigado, o pessoal da Toro sugeriu novamente o clipe, gravamos mais algumas cenas no Hangar 110 e pronto, foi editado e deu no que deu... ganhamos o video de presente heeh.. o retorno foi meio que imediato, ele estreiou primeiro no riff MTV e nos shows seguintes começou a rolar uma procura maior por cds da gente, aumento consideravel de público, começamos a sair mais do Estado, enfim.. foi muito positivo.. ae depois colocamos no site p/ download e ae deu no que deu... Já os videos seguintes, continuamos até hoje trabalhando com o pessoal da TORO, que é além de serem amigos, eles entendem legal o que a gente quer passar, são ótimos profissionais.

4- Vcs já tocaram com nomes importantes da cena punk hardcore e passaram por vários cantos do Brasil. Quais as bandas mais importantes com as quais já dividiram o palco? Com quem gostaria de tocar? Quais a experiencia mais marcante na estrada?

F.Nick: já tocamos com várias bandas de fora, mas acho que o pessoal mais legal mesmo foi do Bambix e do Down by Law, rolou uma amizade, principalmente com o Bambix que a gente sempre toca com eles quando vem ao Brasil, galera gente fina. Das bandas nacionais tocamos com tantas bandas que fica até difícil de falar de uma ou outra, sempre temos um bom relacionamento com todas e isso que é legal. Poxa, quem a gente gostaria de tocar? gostamos de tocar com bandas que conversem, que haja um clima de amizade, isso que é o importante, na maioria dos lugares que vamos rola isso, mas tem bastante banda que prefere ficar no canto e não se misturar... sei la... gostamos de zuera e bater papo. Experiência... bom... tem várias coisas legais que rolam... tipo.. você ir tocar em Recife - PE p/ umas 500 pessoas e todo mundo cantando suas músicas, ou você tocar no RJ, voltar de ônibus pra casa em plena Páscoa, porém você chega na rodoviária as 9 da noite e teu ônibus é só as 7 da manhã do outro dia, pois todos estavam cheios (e você ter que dormir na mesma rodoviária com todos os instrumentos)... nossa.. tem várias coisas.. acho que eu ficaria horas aqui contando... eheheh

5- Com quase dez anos de banda, vocês já se apresentaram em diversos cantos de nosso país, mas infelizmente nunca passaram por Brasilia. Qual a expectativa de vocês em relação ao primeiro show aqui? Vocês conhecem alguma banda daqui? Alguma faz parte das influências de vocês?

F. Nick: com certeza estamos mais do que empolgados pra ir até aí, já tocamos no MS e foi bem legal e o pessoal que passa por Brasília sempre nos traz boas referências da organização e público, com certeza será uma boa festa! Eu conheço daí o DFC, Pulso, Macakongs 2099 e o Bois de Gerião. Eu ouvia muito o DFC, o pessoal da banda gosta bastante do som deles também. Espero conhecer mais bandas daí e trazer bastante material pra cá também =)

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