|
|
| # 26 - agosto de 2003 |
|
Tequila Baby
Como foi o começo da banda? James – Bom, vamos por partes... a gente é uma banda, que como qualquer outra, teve todas as dificuldades que uma banda enfrenta no início, de grana, desde comprar cordas, palhetas, guitarra, até conseguir grana pra gravar uma demo, fita demo na época, a gente teve que vender a bateria que a gente ensaiava na época pra ajudar a pagar uma gravação ao vivo... essa demo saiu em 95, em 96 a gente já lançou o nosso primeiro cd... Que foi lançado pela Antídoto... James - Sim e teve uma distribuição pela Polygram, depois pela Universal. Em 99 a gente lançou o nosso segundo cd chamado "Sangue, ouro e pólvora"... A sonoridade mudou muito do primeiro cd pro segundo, as músicas são mais elaboradas, saiu um pouco do básico do punk rock... o que que aconteceu? O que vcs foram aprendendo? O que foram ouvindo? James - É o que eu falaria até a respeito do nosso mais recente cd... que muda, a gente é uma banda que hoje tem 9 anos de estrada e existe um lado bom da maturidade, ela pode estragar uma banda fazendo uma banda partir pra evolução e alterar a fórmula inicial, mas a gente sempre segurou a fórmula inicial com o freio de mão bem puxado, mas tem um lance de estar tocando junto e isso inspira confiança pra arriscar coisas novas, caminhos dentro do rock e acho que é isso que aconteceu já no segundo disco e no terceiro também. Rodrigo – A diferença do primeiro pro segundo é óbvia... a gente tinha abanda à pouco tempo, sabe? A gente não sabia muito o que fazer, não sabe o que quer da vida, se vc quer ter uma banda, casar ou comprar uma bicicleta, entendeu? Mas no segundo a gente já sabia que a gente era uma banda, a gente já vivia de tocar, de fazer show. Então é óbvio que isso influenciou na características das músicas... Recentemente vcs lançaram o terceiro cd, antes vcs passaram por um ao vivo, foi antes, né? James – foi assim.. em 96 a gente lançou o cd pela antídoto, ele fica 3 anos sendo divulgado, distribuído... a gente queria lançar disco novo e os caras falavam que a gente tinha que lançar lá em outra cidade... daí a gente ia e tocava... Por que essa demora do primeiro para o segundo disco? James – Essa foi uma questão que fugiu um pouco do nosso alcance. A banda vinha conseguindo uma autonomia de vôo melhor, tipo a gente estava conseguindo vir tocar em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro... Pintou convite de tocar com o Shelter, a gente tocou em algumas cidades com o Shelter... a gente tocou com o NOFX, tava rolando, mas a gravadora tava meio não apostando muito na época talvez e a gente tava conseguindo abrir mato pra Tequila Baby, entendeu? Aquela dificuldade de uma banda que mora longe do centro do país passa, sabe? Sai muito caro pra gente vir tocar aqui, é caro pra alguém trazer a gente pra tocar aqui... Daí em 99 a gente ia gravar o segundo, mas a gente já tinha experiência, a gente teve um selo nesse meio tempo, gravamos 10 bandas, aprendemos um pouco mais a lidar com estúdio, e no segundo disco já tinha dedo nosso na produção a gente assinou a produção junto com o produtor Thomas dreyer, foram 3 longos anos também de “sangue, ouro e pólvora” pelo mesmo motivo: gravadora não investindo, o disco ta lançado, vamos pra estrada fazer show, tocamos por tudo também. Nesse ano também a gente abriu o show do Marky em 98 em POA, e rolou um astral positivo, ele sacou que a gente era fazão pra caralho e a gente ficou feliz que ele é um cara a fuder, um cara legal de tratar, ele é um ídolo que dá vontade de lembrar todo dia que ele é um cara fodão, entendeu? Rodrigo – O ao vivo foi gravado no dia mundial do rock em 2000, foi lançado 9 músicas desse ao vivo numa revista local, a revista Atlântida. Nisso a gente saiu da Antídoto fomos para uma nova gravadora, a Orbity, que lançou o nosso disco atual.... Vc falou muito que a gravadora segurava vocês quando vc estava falando da Antídoto. Vcs acham que agora, na nova gravadora, mudou o tratamento? James e Rodrigo – Com certeza!!! James – A gente está hoje na melhor gravadora que a gente poderia estar, para o que a banda é. É uma gravadora que ela não tem distribuição nacional, mas ela consegue suprir aonde a gente vive... as pessoas conseguem comprar o disco, sabe? As pessoas conseguem achar nas lojas... e ao mesmo tempo, no sentido técnico da palavra, a gente consegue opinar... tipo ah! A gente quer que o Daniel Ray produza o disco... os caras jogam junto com a gente e não como acontecia nas nossas antigas gravadoras... lá agente fala algo e os caras não... o que vcs querem a gente não quer... eles só querem lançar o disco e ganhar grana. E como é que foi o lance do Daniel Ray, que é um grande nome nesse estilo de música... James – A idéia do Daniel Ray já vinha desde o "sangue, ouro e pólvora", eu e o rdrigo tentamos entrar em contato com ele até que conseguimos, mas ficou meio viagem a gente ligou pro grigo em NY e ele falou tá eu vou gravar vcs... mas daí uma série de coisas não só financeiras, mas de experiência nossa e fizeram com que não rolasse, a própria gravadora não quis "pra que trazer um gringo? A gente tem alguém aqui bom". E como é que foi tratar com o cara? Vcs aprenderam muita coisa com ele? James – A gente já assinou o contrato com a gravadora nova, a Orbity, em cima de algumas coisas que a gente tinha... a gente queria que o Daniel produzisse o disco, a gente achava que era importante, e pra nossa carreira isso foi muito importante, mais pra nossa carreira do que para um disco. Eu posso dizer que quando a gente gravou o disco com ele, a gente aprendeu a ser uma banda de rock dentro do estúdio também, que as bandas tendem a ser rock no palco, fora do palco, na hora que ta caminhando... mas todas as bandas, eu acredito que, na hora que entra em estúdio, pinta, não é amarelar, mas pinta meio que um compromisso de soar perfeito demais, sabe? E a gente aprendeu com ele que de repente não ta tocando guitarra sentado, não! Levanta e toca como no show, vai que vai dar certo... e muitas coisas que eu não saberia lembrar agora mas acho que o clima é importante, e a maneira como foi... a Tequila Baby toca seus instrumentos, faz o som... e o Daniel coordena tudo, entendeu? Ele é um cara metódico, isso é legal... Rodrigo -Um cara que vc pode entregar na mão dele tranqüilo... James - É essa a palavra. A gente pôde entregar as músicas pra ele, e ele já sabia o que tinha que ser feito e isso inspira muita confiança. Esse disco, "punkrock até os ossos", como está sendo a aceitação? Vcs estão com um clipe, o clipe foi feito a muito tempo? Como foi fazer o clipe? Rodrigo – A gente teve um clipe de cada disco na verdade. O clipe atual foi feito faz uns 6 meses e a gente gravou basicamente com fãs da banda num estúdio... E vcs acham que mais portas estão se abrindo pra vcs com esse disco novo? Porque realmente a banda tem crescido bastante e tem sido mais falada... até então a banda ficava mais pelo Sul. Inclusive, vcs são bem maiores por lá... Rodrigo – O Sul é a nossa casa, onde a gente faz mais shows... mas o fato da gente ter se tornado mais popular lá isso reflete nas outras cidades, nos outros estados e isso faz com que mais pessoas falem da banda. Eu acredito realmente que esse disco levou a banda pra mais lugares e mais pessoas ficaram conhecendo. James – Acho que uma coisa muito importante também é a seleção natural da espécie... 9 anos de banda, a gente chegou num ponto em que, um cara me abordou agora, um cara da Colômbia que veio morar ano passado em Brasília, ele conhece o som, daí ele mesmo falou que é estranho os brasileiros... ele precisou comprar o cd em SP, voltar pra Colômbia, vir morar em Brasília pra mostrar pros amigos de Brasília que existe a Tequila Baby.... eu acho que o brasileiro busca pouca informação sobre bandas com carteira de trabalho com bastante folhinhas/experiência sabe? E a gente é... pode soar egocêntrico, mas não é com humildade que eu falo que a gente tem 9 anos de banda e a gente passou por muita coisa foda já e muita coisa à fuder, então nada vai fazer a gente deixar de ser a Tequila Baby, então é como o Rodrigo falou, a gente se sentia meio... parece que a gente não era do país sabe? Por a gente estar tão longe e as pessoas querer... eu não digo isso de maneira rock star... mas as pessoas podem querer ver o nosso show, falar com a gente e a gente não conseguir vir tocar porque é uma puta grana vir fazer o show, quem teria que ajudar a bancar não quer, então foi como a gente sempre veio, hoje a gente ta tocando no Porão da mesma maneira que a gente veio em 96, a gente arcou com tudo, sacou? Se a gente não viesse assim a gente só viria daqui 10 anos talvez.. Rodrigo – Ou nunca. James – Isso que é foda. Só que a gente tem investido nisso, em sair do Rio Grande do Sul e tocar em outras cidades, porque como eu te falei da seleção natural... as pessoas como um vírus tem rolado a Tequila Baby pelo país, rolaram algumas matéria legais a nível nacional, de televisão, uns programas de canal aberto e a gente recebeu muitos e-mails de pessoas que nunca ouviram falar da banda antes... pessoas que nos conheceram agora. É muito estranho vcs, que no sul tem uma legião de fãs, chegarem em São Paulo ou outros estados e serem tratados como uma banda desconhecida? James - Já soou uma época atrás... a gente ficava meio resabiado, parecia preconceito, mas não, hoje a gente entende de uma maneira mais ampla as coisas. A gente não mora aqui, não temos uma gravadora que divulga o nosso disco goela abaixo nacionalmente, entendeu? Até não acho que seria legal... a gente tem curtido muito mais como aconteceu... pó quando eu conheci Ramones, os caras já tinham 400 anos de banda e eu peguei e olhei pra trás e eles tinham uma discografia... o cara que nos conheceu hoje, que vai nos conhecer hoje aqui no Porão... ele vai poder entrar no tequilababy.com.Br e ver que a gente tem algum material lançado, que a gente não é uma banda que deu o primeiro gozo agora, entendeu? Vcs tocaram em Brasília... vcs lembram de alguma coisa do show? Vcs querem falar um pouco sobre isso? Eu queria ouvir... hahaha James - A primeira coisa que eu me lembro é do homem-palco, eu já tentei solucionar esse problema, já tentei achar ele aqui, mas me falaram que ele se mudou... e que teve até um show de despedida, né? Eu me lembro que foi uma cidade assim que a gente começou a tocar... o pessoal ficou 30 segundos parado, tipo: "será que eles merecem?" e a gente continuou sentando a lenha e saiu todo mundo se quebrando... eu me lembro disso... e que as pessoas... a gente estava até comentando hoje... acho que três cidades que as pessoas são encantadoras: BH, GO e BSB. E não é porque a gente tocou nessas cidades agora. Tem cidades que são meio saco, essas 3 cidades são legais, as pessoas são bem humildes e as pessoas são taradas por informação sabe? A gente tocou ontem em GO e as pessoas querem saber tudo sobre a Tequila Baby, isso é legal... em Belo Horizonte também... E vc o que vc lembra? Rodrigo – ehhhhh... Eu lembro que foi muito divertido... foi a nossa primeira vez na cidade, a minha mãe morava aqui na época e foi legal pra mim particularmente ter vindo ver ela, e foi legal porque porra a banda ficou super feliz de viajar horas dentro de um ônibus e chegar aqui... e encontrar pessoas legais... James – Foi legal chegar aqui, deu 2 dias de viagem e a gente falava bah velho a gente ta barbudo!!!! Hahhaahahhah Rodrigo – foi legal chegar aqui e encontrar pessoas que curtiam e que estavam a fim de ver a banda. E hoje, vcs voltaram... uma diferença enorme... com 9 anos de estrada, muito mais discos e para um público muito maior... James – mais gordo também... Pois é... como estão as expectativas... tocar no Porão do Rock... Como foi o convite? Como vcs chegaram aqui? James – O Porão do Rock é um festival que a gente já tem conhecimento dele a muito tempo, por bandas do RS já terem tocado aqui... Bidê ou balde, Comunidade Ninjitsu e Acústicos e Valvulados, eu acho, né? Todo mundo comentava, po, vcs tem que tocar no Porão, tem tudo a ver com vcs, a galera lá... a gente, é a gente já sabe, a gente já tocou em Brasília e a gente sabe que a galera lá gosta de punkrock... E agora a gente está aqui... E aí, quais os planos da banda daqui pra frente? Vcs estão com o disco, estão trabalhando o disco, fizeram o clipe? Vcs fizeram um clipe pra cada disco... Esse disco vai ter mais clipes? Porque ta chegando mais na Mtv... e isso ajuda... O que vcs estão pensando daqui pra frente? James – Olha cara, até pra apimentar aquela pergunta a respeito da gravadora, de certo modo a gente está tão feliz com a gravadora atual, tem sido um momento tão bom que inverteu as posições... eles estão nos cobrando disco novo "disco novo rapaziada! Disco novo" e a gente sempre ouviu "não, ano que vem!", "No próximo ano", "Talvez no ano que vem" e quando a gente via se passavam 3 anos. A gente volta a POA agora, a gente toca amanhã em São Paulo com o Carbona e Lambrusko Kids que é do Márcio do Portal do Rock, né? E com Borderlines que é do ex baterista da Holly tree... o show vai ser no Hangar e a gente volta pra POA e a idéia é já preparar o novo disco pra tentar ser gravado esse ano, se der tudo certo, se não no verão a gente grava. Mas nos próximos 6 meses um disco novo. E as informações sempre no site, certo? Pode botar. www.tequilababy.com.br
|
:: www.protons.com.br :: protons@protons.com.br :: cx. postal 2095 - brasilia DF - 70259-970 - brasil ::