# 26 - agosto de 2003
Cadabra

"Máquina de Morte"

por Alvaro Dutra

Para perceber a singularidade desta banda não é preciso mergulhar no universo de influências e nem fazer um estudo profundo sobre o rock, basta dar play no EP. Na primeira faixa, "Eu que não tenho Pudor", você vai achar que é uma banda de metal. Eis que entra um riff de guitarra que poderia indicar uma banda de rock alternativo. Até que, na contramão de todas as expectativas criadas por desavisados, entra o vocal ora gritado ora muito bem cantado e em português. Tentando definir o som da banda você pode passar por Soundgarden, Queen of Stone Age, talvez até Faith No More e nada disso deixa de ser verdade, mas ainda não vai encontrar o rótulo adequado para eles. O motivo é simples: a banda conta com músicos que usam e abusam de seus conhecimentos e influências para fazer um som original, pouco previsível.

O Ep segue com músicas que bem distintas, mas que se encaixam perfeitamente no estilo único da banda. "Overdose" é mais empolgante, mais pra cima, mas não menos psicopata. "Quanto?" é uma balada do mal ótima pra ouvir de luz apagada deixando que a música de leve a lugares obscuros da sua mente. "$$$" é pauleria do inicio ao fim, mas o vocal carrega a música equilibrando bm inquietação e tranqüilidade. "Máquina de Morte" é bem pesada cheia de repetições, como se observássemos um trator em velocidade constante destruindo tudo que tem pela frente. "Vs." é muito bem elaborada, cheia de partes, uma melhor que a outra. "Sobrevivo" é como uma conclusão do EP. Chegando aqui não tem como não ver o potencial e qualidade da banda que aos poucos tem tomado um espaço que não poderia ser ocupado por nenhum outro.

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