# 29 - março de 2004
Tequila Baby

"Punk Rock até os Ossos"

por Alvaro Dutra

Muita coisa mudou desde o cd de estréia lançado em 1996. A evidente influencia de Ramones agora se mescla com mais melodias deixando as músicas mais emocionantes e marcantes. A produção é muito boa, o disco parece gringo. São 14 faixas em mais de 50 minutos, coisa rara hoje em dia, mas que torna o disco ainda mais obrigatório. Quem assina a produção é Daniel Rey, famoso principalmente por trabalhar com os Ramones. É possível que ele tenha dado uma força para conseguir que Marky Ramone gravasse a bateria em uma das faixas. Esse é o disco mais homogêneo do Tequila Baby. Eles equilibraram muito bem faixas mais hardcores e baladas. É um disco que se escuta do inicio ao fim, curtinho, e sem ver o tempo passar. O disco começa muito bem, com uma das músicas mais marcantes da banda. "Planos Perfeitos" mostra o velho Tequila Baby com uma cara mais CPM 22. O vocal de Calvin vem da alma e tem aquele som rasgado parecido com o Rancid ou Wander Wildner, se preferir. O lance é que o vocal se destaca e consegue interpretar muito bem a letra. "Seja com o sol, seja com a lua" é a tal música onde Marky toca bateria, pena que a participação não fica tão evidente como quando um vocalista empresta a sua voz. Mas sabendo que é "o cara" tocando, colocamos o ouvido na caixa pra prestar atenção a cada virada, cada detalhe. A música é boa e fácil de cantar junto. 

A primeira música de trabalho desse cd, com direito a vídeo clipe e tudo mais, é "Melhor do que você pensa" outra bela canção que gruda na cabeça por muito tempo. "Ninguém pra confiar" é mais acelerada, tem uma pegada bem marcada e uma influencia meio Roberto Carlos das antigas, meio brega, mas que no punk rock fica bem legal. "Menina Linda" é a versão brasileira para "I Should Have Known Better" dos Beatles. É uma dessas músicas que ouvimos milhões de vezes e nunca enjoa. A versão ficou bem com a cara deles, com backing vocals que torna a música ainda mais bonita. "Lírios" é a mais triste, mais emocionante, com muita energia. Outra bela música também nessa linha mais calma é "A cada ano...". "De quem é a culpa?" faz o tipo "letra triste + música animada", uma fórmula muito usada pelo Descendents, se não me engano, quem canta nessa faixa é o baixista Rodrigo de Niro. "Negue" é o elo entre esse cd e o anterior, tanto no estilo da letra como da música. "Sonhos feitos de papel" acho que é a mais fraca do cd. Não chega a ser ruim, mas num disco com tantos sucessos fica complicado. "Histórias de amor" recupera o fôlego numa música rápida e animada, apesar da leve melancolia da letra. "Ontem ou agora" é a balada com direito a violão e tudo mais. "Coma" tem uma letra bem interessante numa música que lembra o estilo Bad Religion. Fechando o cd, outra bela música, emocionante e com ótimos arranjos e backing vocals. "Coisas da vida" é um excelente ponto final. 

O cd ainda inclui faixa multimídia com um vídeo muito legal com os bastidores da gravação e de um super show.

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