# 30 - abril de 2004

Happy hour

por Priscilla Leonel

Eis que hoje eu e meus colegas de estágio nos reunimos, após um porre de audiência simulada, para o que seria um pequeno happy hour, num bar qualquer da Asa Sul. 

Eu, sinceramente, estava cansadérrima, o dia tinha sido um saco, daqueles, que se repetem todos os dias, e, por se repetirem, se tornam o tal saco: nada novo acontece, nenhuma passagem de avião grátis pra China, e nenhum brad Pitt de Tróia aparece na minha frente (aliás, meninas, eu vivia com pena de vocês que estampavam Brad e Tom cruise no armário - mas, se eu soubesse, ah, se eu soubesse, eu o estampava até na geladeira). 

Confesso que também não estava lá muito animada com as companhias, as quais só falavam de nomes e renomes; juízes da comarca de não-sei-das-quantas; Sr. Desembargador "amigo de painho", e o caralho a quatro que me faz pensar todo dia que diabos eu faço num curso de direito.

Mas então. Meu amigo Alexandre, para quem dou carona todas as terças, insistindo para que não fôssemos, e sim que seguíssemos para nossas respectivas camas, jogava a fumaça de seu cigarro de palha delicadamente na minha cara para eu ter certeza de que a presença do mesmo num bar, com aquela mesma fumaça desgraçada, não seria interessante.

Pois bem, enfiei o cigarro dele embaixo do meu solado, o enfiei no meu bat-móvel e fomos - decidi não me apegar a conceitos pré-formados pela minha cabeça acéfala. Ora, o que custava? Era só aquele chato não tocar no nome de nenhum desembargador, que tava tudo tranqüilo.

Ok, ele até tocou no nome de 400 desembargadores que visitam a casa de "seu painho" todo dia, mas tirando isso e o fato de que ele era um mimado enrustido e pedante, o troço foi interessante. O primeiro momento era o de um desanimado "ok, vamos lá": encostamos nossos derrières nas cadeiras e pedirmos a primeira cerveja.

Logo o negócio desandou, a máscara caiu, o povo já tava na 5ª cerveja, na terceira tequila, mostrando que não ficam em casa assistindo especial do Roberto Carlos; que bebem, fumam e fodem mais do que você e que são mais gente que aquele seu amigo metido a clever.

Pior, quando menos percebo, até eu estou fumando a porcaria do cigarro de palha. 

It was fun. Divertido mesmo, entendeu
Portanto, querido, se você faz como eu fazia (essa cara nojenta pro "desconhecido-penso-que-conhecido", não se esforçando para sair dessa panelinha maldita que nós mesmos construímos e rotulamos como melhor e suficiente): abre a cabeça. 

 

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